AS MELHORES DA DINHEIRO 2021

A boa colheita também vem depois da tempestade

A despeito do cenário turbulento desde o ano passado, Raízen pisa no acelerador para investir mais e ganhar espaço no concorrido mercado brasileiro de energia, combustíveis e alimentos.

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Apesar de leve baixa na colheita e moagem de cana, empresa conseguiu compensar o balanço com avanço na produtividade agrícola. (Crédito: Istock)

Assim que a crise trazida pela pandemia se espalhou por todas as atividades da economia brasileira, no começo de 2020, o executivo Ricardo Dell Aquila Mussa, CEO da Raízen, tomou uma decisão ousada: não parar nenhum setor da empresa nem um dia sequer. Ao contrário, a ordem era acelerar todos os planejamentos em curso na empresa. “Diante de uma realidade tão adversa, não paramos nossas operações porque sabíamos que a nossa atuação era essencial para a sociedade”, afirmou Mussa, que comanda a empresa vencedora na categoria combustíveis, óleo e gás no ranking do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO 2021.

Mesmo em um ano tão repleto de incertezas, a Raízen manteve seus investimentos e trabalhou de maneira ativa para ampliar o portfólio em fontes renováveis, além de reforçar a atuação nos setores de distribuição de combustíveis e proximidade. Como resultado, no início do último ano a companhia avançou no segmento de varejo, ao dar início às operações do Grupo Nós, uma joint venture entre Raízen e Femsa Comércio, atuando em lojas de conveniência Shell Select nos postos de combustíveis, e com as lojas de proximidade Oxxo, marca já consolidada na América Latina.

Em outra frente, a Raízen inaugurou, em julho de 2020, mais um terminal de distribuição no Maranhão, em São Luís, para fortalecer a oferta de combustíveis para toda a região Norte e Nordeste do País. Em outubro, a companhia também deu início às atividades da planta de biogás em Guariba (SP), que tem capacidade para produzir 138 mil MWh por ano. Utilizando novas tecnologias, com a mesma quantidade de cana-de-açúcar tem sido possível aumentar a produção de energia em até 50%.

RICARDO DELL AQUILA MUSSA EMPRESA: Raízen. CARGO: CEO. DESTAQUES DA GESTÃO: Manter planejamento de crescimento da empresa a despeito da crise; reforçar processor tecnológicos e desenvolver join venture para entrar em novos mercados. (Crédito:Divulgação)

No ano passado, a Raízen encerrou o exercício com 59,6 milhões de toneladas de cana moída. O volume processado, pouco menor em relação à safra anterior (59,7 milhões de toneladas), foi parcialmente compensado por uma melhora de 4,3% na produtividade agrícola, medida pela combinação dos indicadores de ATR (Açúcar Total Recuperável por tonelada de cana moída) e TCH (Toneladas de Cana colhida por Hectare), que foi de 9,6 toneladas de ATR/hectare. A receita líquida ajustada alcançou R$ 30,7 bilhões na safra, aumento de 37% na comparação com 2018/2019 devido, principalmente, ao maior volume vendido de etanol e pelos melhores preços médios tanto de etanol quanto de açúcar no período.

Para Mussa, apesar dos avanços, o último ano-safra foi marcado por muitos desafios e oportunidades. “Obtivemos marcos importantes na história da companhia durante esse período, conciliando a contribuição social relevante no contexto da pandemia com o avanço contínuo de nossa agenda de negócios”, afirmou o CEO. “Encerramos a safra prestes a comemorar os dez anos de uma trajetória que nos transformou de produtores de açúcar, etanol e bioenergia e distribuidores de combustíveis a referência global em bioenergia.”

Além das operações internas, desde o início da pandemia a Raízen se mobilizou em uma rede de solidariedade — da produção e doação massiva de álcool 70% para hospitais, prefeituras e locais de votação nas eleições, a diversas iniciativas de prevenção e combate à Covid-19 para colaboradores e clientes de postos Shell em todo o Brasil. “Estamos comprometidos em atuar de forma eficiente no processo de transição energética pelo qual o Brasil e o mundo passam”, afirmou Mussa.

“Estamos totalmente comprometidos em atuar de forma eficiente no processo de transição energética pelo qual o Brasil e o mundo atravessam” Ricardo dell Aquila Mussa, CEO da Raízen.

Segundo o executivo, 2021 ainda impõe grandes tarefas, especialmente no setor energético. A empresa acaba de encerrar um bem-sucedido processo de abertura de capital, se posicionando para um novo ciclo de crescimento. Com tecnologias avançadas, mira o protagonismo na transição energética, ampliando o portfólio de renováveis, como o etanol de segunda geração (E2G), o biogás, a bioeletricidade e a geração de energia solar. Até agora, a Raízen deixou de emitir 5,2 milhões de toneladas de C02 por ano no ambiente e, até 2030, tem como meta conter o dobro desse montante.

Ainda na safra 2021/22, a empresa finalizou o processo de integração das operações da Biosev e, a partir de agora, tem 40 mil funcionários e opera 35 parques de bioenergia, que somam capacidade instalada para moagem de até 105 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, além de uma planta de etanol de segunda geração e outra de biogás. “Estamos entusiasmados com o que ainda está por vir e confiantes de que a nossa energia continuará crescendo frente aos desafios”, disse Mussa. É o que o mundo todo espera.