Edição nº 1100 14.12 Ver ediçõs anteriores

A banca em festa

A banca em festa

O mercado comprou Bolsonaro. Os números e tendências mostram isso. Contabilizada a larga margem de vantagem do capitão reformado nas pesquisas, a euforia tomou conta. É fato indiscutível que suas propostas e plataforma econômica agradam mais a iniciativa privada. Há quem diga que até a reforma da Previdência, revisada e ampliada, poderá sair mais rápido do papel. Anima também o setor produtivo mensagens veiculadas pelos assessores, e por seu principal guru econômico Paulo Guedes – candidato isolado a comandar os ministérios de Fazenda e Planejamento –, de que o presidenciável respeitará o teto de gastos federais, dará andamento às privatizações e reduzirá custos de contratações na atividade pública.

São promessas que soam como música ao empresariado. Industriais, comerciantes e banqueiros disputam no momento vaga em sua agenda. Querem encaminhar demandas, discutir alternativas, sugerir nomes para compor o quadro das pastas que tratam de assuntos pertinentes às respectivas áreas de interesse. Bolsonaro, naturalmente, caso vença – como torce a banca -, terá pela frente certas barreiras já visíveis para levar adiante ideias tidas como liberais. A começar pelo próprio Congresso, que passa por recomposição relevante e é normalmente curtido na arte do toma-lá-dá-cá, descartada pelo presidenciável. Assim, o jogo de cintura de seus colaboradores mais próximos será decisivo para avançar com a pauta.

Há uma montanha de dúvidas ainda pendentes no plano da economia, não apenas no que tange o programa de Bolsonaro como o do próprio oponente, Fernando Haddad. O que farão eles para sanar o déficit nas contas do Tesouro? Qual a saída de cada um para a negociação da dívida dos Estados? Política de juros, inflação, câmbio etc. ainda estão em aberto. No segundo turno das eleições, o debate sobre esses programas de governo naturalmente deve ter vez. Em termos gerais será preciso que cada um apresente uma agenda propositiva séria, baseada em compromissos claros, para dirimir receios principalmente de investidores externos, que ainda olham com desconfiança para ambos os candidatos. Permanece no horizonte o risco de uma explosão fiscal.

Se o populismo e o voluntarismo prevalecerem, as chances de crise só aumentam. Por outro lado, a perspectiva de um crescimento acelerado, já a partir de 2019, entrou no radar. Relatórios de várias instituições financeiras apontam nesse sentido e informam que grupos estrangeiros estão prontos para inundar a praça de recursos, caso a economia se estabilize a partir do próximo governo. O líder na corrida, Jair Bolsonaro, talvez no objetivo de atrair ainda mais interesse por parte dessa turma – e buscando demover eventuais preconceitos ou resistências – informou que já estava em busca de executivos e profissionais da iniciativa privada para compor suas equipes no governo e nas estatais. Foi uma sinalização e tanto que animou mesmo quem andava desconfiado.

(Nota publicada na Edição 1091 da Revista Dinheiro)


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