Dinheiro em Ação

A bala perdida da Taurus

A bala perdida da Taurus

Papéis avulsos

A perspectiva de ampliação do direito de possuir armas foi um dos principais assuntos da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro no ano passado. Isso refletiu-se nas ações da Forjas Taurus, maior fabricante de armas do Brasil e presidida por Salesio Nuhs. Os preços das ações dispararam 131% em 2018, a maior alta da Bolsa. O entusiasmo dos investidores se mantém neste ano, e as ações já acumulam valorização de 60% em quatro pregões. No entanto, analistas apontam o movimento como especulativo e destacam a fraqueza dos fundamentos da companhia. “A empresa tem dificuldade em gerar caixa para amortizar a enorme dívida, que em setembro do ano passado era de R$ 901,9 milhões”, diz Glauco Legat, analista da Necton. Outro risco é a entrada de fabricantes estrangeiros no Brasil. “É uma possibilidade diante do viés liberal do novo governo”, diz. “Não recomendo a ação para o investidor que visa o longo prazo.”

 

Touro x Urso

O Índice Bovespa bateu três recordes nos seis primeiros pregões do ano, o mais recente deles na quarta-feira 9, quando encerrou os negócios a 93.613 pontos. A alta acumulada em nove dias corridos foi de 6,5%, o equivalente à remuneração da taxa Selic por 12 meses. Os investidores se animaram com a perspectiva de um acordo comercial entre Estados Unidos e China e com a proposta de uma reforma da Previdência mais austera.

 

Quem vem lá

BR Distribuidora entra no Ibovespa

A ação preferencial da BR Distribuidora passou a fazer parte do Índice Bovespa desde a segunda-feira 7, quando a B3 divulgou a nova carteira teórica do índice, que terá 65 ações de 62 empresas, e ficará em vigor até o dia 3 de maio. A participação de Itaú Unibanco PN subiu de 10,44% para 10,8%, e a ação se tornou a mais representativa no índice. Vale ON caiu para o segundo lugar. A participação das ações recuou de 12,88% para 10,77%.

 

Fusão

Turbulências na operação da Embraer

Na sexta-feira 4, Jair Bolsonaro defendeu mudanças nos termos do acordo da fusão da Embraer com a empresa americana Boeing. O entendimento está sendo alinhado há mais de um ano. Ele ponderou que “não podemos deixar que em cinco anos tudo seja repassado para o outro lado”. A declaração gerou incerteza sobre o fechamento do negócio, que precisa de aval do presidente. Até a terça-feira 8, as ações da Embraer caíam 1,4% no ano.

 

Destaque no pregão

Petrobras deve receber até US$ 24 bi pela cessão onerosa

De acordo com projeções entregues à equipe de transição do governo nas últimas semanas do ano passado, a União deverá pagar cerca de US$ 14 bilhões à Petrobras na revisão do contrato que cedeu para a estatal o direito de explorar seis grandes blocos de petróleo na camada do pré-sal. Além da União, a petrolífera deverá ser ressarcida também pelos grupos vitoriosos no leilão de excedentes das reservas, o que pode elevar a conta em mais US$ 10 bilhões. A companhia recebe a notícia no momento em que passa por uma reformulação na sua diretoria. Menos de uma semana depois de tomar posse,o novo presidente Roberto Castello Branco mudou a liderança de quatro das sete diretorias, e dispensou todos os executivos ligados à gestão de Aldemir Bendine.

Palavra do analista:
Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores, destaca que Castello Branco se posicionou contra os subsídios e garantiu que os preços dos combustíveis obedecerão à paridade internacional. “Esperamos que a empresa continue buscando parcerias estratégicas e a venda de ativos”, diz.

 

Aviação

Azul prossegue na ampliação da frota

A Azul prossegue na estratégia de ampliar sua frota. A companhia aérea recebeu dez novas aeronaves em 2018, sendo oito delas modelo Airbus A320neo e dois cargueiros modelo Boeing 737-400F. Para o primeiro semestre, o prognóstico é receber outros cinco A320neo, com capacidade para até 174 passageiros, em um investimento de cerca de US$ 2 bilhões. No ano, as ações caem 3,6% após terem subido 33,8% em 2018.

 

 

Mercado em números

RENDA FIXA
R$ 140 bilhões – Foi o montante captado por meio de mais de 300 operações de emissão de debêntures em 2018, o maior volume da série histórica da Anbima, entidade que regula o setor.

SUZANO
R$ 4 bilhões – É o montante que a empresa produtora de papel e celulose emitiu em debêntures com vencimento em 2020 para financiar a operação de fusão com a Fibria.

TAESA
R$ 942,4 milhões – É o valor que a companhia vai pagar para adquirir quatro linhas de transmissão da Âmbar, subsidiária de energia do grupo J&F.

MOVIDA
R$ 247 milhões – É o volume captado pela empresa de locação na terceira série da emissão de debêntures simples, com vencimento em 2024 e pagando CDI mais juros de 2,05% ao ano.

MARFRIG
US$ 54,9 milhões – É o montante que a segunda maior produtora de carne bovina do mundo pagou à BRF para adquirir o controle da companhia argentina Quickfood.