Edição nº 1066 20.04 Ver ediçõs anteriores

A Apple sai da rede (elétrica)

A Apple sai da rede (elétrica)

Maçã verde: a nova sede da Apple em Cupertino, na Califórnia, utiliza 100% de energia renovável, de usinas eólica e solar

A Apple anunciou, na semana passada, que sua operação nos Estados Unidos passou a ser 100% abastecida com energias renováveis. Trata-se de um acontecimento importante tanto para a empresa como para o setor energético. “Após anos de muito trabalho, estamos orgulhosos de atingir esse marco histórico”, afirmou Tim Cook, o CEO da empresa. Para se tornar autossuficiente, a companhia criada por Steve Jobs (1955-2011) construiu ou investiu em projetos de geração de energia limpa, como solar e eólica. Atualmente, a Apple detém 25 usinas em operação e outras 15 estão em construção. O total de energia renovável à disposição da companhia supera os 700 Megawatts, o suficiente para abastecer cerca de 500 mil residências. Essa capacidade é a soma do que a empresa compra e produz.

Conselheiro da Apple, Al Gore, ex-vice-presidente americano, disse à revista Fast Company que os esforços da companhia “estão mudando a forma como o setor de tecnologia usa a energia”. A dona do iPhone está estabelecendo um padrão que deve ser seguido por todas as indústrias, principalmente a aquisição de eletricidade que não está conectada a uma rede elétrica (chamada de off grid). Isso é possível graças à chamada geração distribuída. O que a Apple faz é comprar sua energia de fontes próximas aos seus data centers ou escritórios. “O off grid será uma realidade em breve”, afirma Newton Duarte, presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

Em alguns Estados americanos, como Califórnia e Oregon, empresas podem adquirir energia diretamente de terceiros, sem a necessidade de passar pela concessionária. Em outros lugares, elas têm de usar os chamados RECs, certificados de compra de energia renovável, em que o comprador garante que a sua eletricidade vem de geração limpa, ainda que ela seja “misturada” com outras fontes. “Estamos vivendo o Zeitgeist do setor elétrico”, diz Duarte, usando o conceito alemão que faz referência a “espírito do tempo”. Para o Brasil atingir o mesmo nível existente nos EUA, será preciso rever a regulamentação. Atualmente, a compra direta de energia não é permitida no País. É obrigatória a passagem por uma concessionária distribuidora, independentemente da fonte de energia. Mas, como a Apple vem demonstrando, isso já não é sustentável.

(Nota publicada na Edição 1065 da Revista Dinheiro)


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