Finanças

A aposta virtual da Toro

Fintech de educação financeira é a primeira do Brasil a entrar na corretagem e cria plataforma intuitiva para trazer mais clientes ao mercado

Crédito: Volkan Furuncu/Anadolu Agency/Getty Images

Wall Street: estátua da menina encara o símbolo da força do mercado (Crédito: Volkan Furuncu/Anadolu Agency/Getty Images)

Em março de 2017, a tradicional estátua de um touro em Wall Street ganhou companhia. Para homenagear as mulheres, a escultura de uma menina com as mãos na cintura e postura desafiadora foi colocada à frente do animal. Chamada de “menina sem medo”, ela representa um desafio ao touro, símbolo da força do mercado financeiro. A instalação causou polêmica e a escultura foi removida um ano depois. Ao celebrar sua estreia no mercado em um evento na B3 na terça-feira 17, a corretora de valores Toro ilustrou o eventocom uma releitura da cena, em que a menina monta o touro após domá-lo. A imagem reflete bem a filosofia da nova corretora, a primeira surgida a partir de uma fintech. “Queremos fornecer as ferramentas adequadas para que todos possam domar o mercado financeiro e melhorar suas vidas”, diz Gabriel Kallas, fundador da empresa. Para o diretor de relacionamento com clientes da B3, Felipe Paiva, a vinda da Toro é transformadora pelas inovações ao segmento de home broker. “É papel da B3 potencializar iniciativas como essa”, diz.

Toque da campainha: Gabriel Kallas, primeiro (à esq.), e os sócios e investidores da fintech inauguram a corretora (Crédito:Claudio Gatti)

A estratégia da corretora, que mira investidores com patrimônio de até R$ 500 mil, é atraí-los usando uma plataforma de investimento inspirada nos sites de comércio eletrônico, mais intuitiva que as existentes, com menos gráficos e mais botões. Assim, será possível pesquisar títulos de renda fixa para investir com ferramentas inspiradas nos sites de busca de passagens aéreas. A Toro também pretende mudar a forma de cobrança. Em vez das taxas fixas, ela só vai cobrar os negócios com ações que gerarem ganhos para o cliente, desde que o negócio tenha sido baseado em uma recomendação da casa. Se houver lucro, a Toro cobra 10% dele. No caso de prejuízo, a transação é gratuita.

A Toro foi criada por cinco sócios em 2011, em Belo Horizonte, como uma empresa de educação financeira. Quatro anos depois, em 2015, os fundadores pensaram em ganhar escala criando uma corretora. Ao buscar capital, encontraram Eugênio Mattar, fundador da Localiza. Ao lado de outros sócios da locadora de veículos, Mattar não só investiu R$ 65 milhões na Toro como também passou a ser o mentor da empresa. “Estava faltando um meio adequado para trazer mais pessoas ao mercado”, diz ele.

Gabriel Kallas, um dos fundadores, diz estar otimista. A meta da empresa, que tem 50 mil clientes ativos, é alcançar 500 mil cadastrados nos próximos 12 meses. Pelas contas do empresário, não é muito. Hoje apenas 0,3% dos brasileiros investem na Bolsa. “Nos demais países emergentes a média é de 5%”, diz Kallas. Para ele, o mercado tem dez milhões de potenciais clientes. Kallas também mira os 5 milhões de investidores em renda fixa. “Vamos oferecer um serviço para que eles possam vender seus títulos antes do vencimento”, diz.