Finanças

A aposta nas criptomoedas

XP, Nubank e BTG Pactual ignoram a crise e lançam suas plataformas para oferecer negociação de ativos virtuais.

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MERCADO INTERNACIONAL XP fecha acordo com a Nasdaq para operações com as moedas virtuais. (Crédito: Divulgação)

O universo dos criptoativos começa a mobilizar pesos-pesados do mercado financeiro. XP, Nubank e BTG Pactual vão passar a oferecer negócios com ativos virtuais para seus clientes. A iniciativa mais recente é da XP, que anunciou na quinta-feira (12) a criação de uma plataforma de negociação de ativos digitais em colaboração com o mercado eletrônico americano Nasdaq. Segundo a XP, a plataforma, denominada XTAGE e construída com base na tecnologia de negociação da própria Nasdaq, deve começar a operar ainda neste trimestre. Os cerca de 3,5 milhões de clientes da XP poderão, inicialmente, negociar os ativos mais conhecidos, como bitcoin e ethereum, mas a corretora planeja expandir a oferta para outros criptoativos.

A iniciativa marca um retorno da XP a esse mercado, depois de ter lançado e fechado a plataforma Xdex, em 2017. “Ao lançar essa nova exchange de negociação em parceria com a Nasdaq, queremos democratizar o acesso dos investidores, começando por criptomoedas, e expandindo no futuro para outros ativos digitais”, disse o diretor de produtos financeiros da XP Inc., Lucas Rabechini. A ideia é facilitar o acesso a investimentos que não tenham correlação com os ativos financeiros tradicionais, como juros, moedas e ações, o que permitirá não só diversificação, mas também redução do risco das carteiras pela ausência de correlação. Além do risco financeiro, a vantagem é a proteção. “Tudo isso com o diferencial de uma tecnologia desenvolvida junto à principal bolsa do setor dos Estados Unidos, a Nasdaq”, afirmou.

UMA NOVA EXCHANGE Segundo Lucas Rabechini, diretor da XP, objetivo é facilitar o acesso dos clientes aos ativos digitais. (Crédito:Vivian Koblnsky)

NUBANK A iniciativa da XP não é a única. Na terça-feira (10), o Nubank também passou a oferecer a seus clientes a possibilidade de comprar criptoativos por meio de seu aplicativo. Em princípio, assim como no caso da XP, os investimentos estão limitados aos nomes mais conhecidos, com a possibilidade de investir a partir de R$ 1. Apenas parte dos cerca de 50 milhões de clientes já tem acesso ao produto. Segundo o Nubank, a meta é que toda a base possa operar até o fim de julho. Em preparação para o lançamento, a Nu Holdings, que controla o Nubank, adquiriu o equivalente a 1% de seu caixa em bitcoins, sem divulgar valores.

Para completar, o BTG Pactual anunciou na segunda-feira (9), durante a teleconferência com analistas em que comentou seus resultados, que terá uma plataforma de negociação de criptoativos, denominada Mynt. “A proposta é oferecer uma plataforma de investimentos completa, que deverá ser lançada em até dois meses”, disse o presidente do BTG, Roberto Sallouti.

Esses anúncios vêm em um momento especialmente crítico para o mercado das criptomoedas. Os valores desses ativos têm caído fortemente desde o início de maio devido à alta dos juros nos Estados Unidos e ao aumento da aversão ao risco pelos investidores. Na quinta-feira (12), o bitcoin perdeu todos os ganhos registrados ao longo de 2021 e estava sendo negociado abaixo da casa dos US$ 27 mil. No total, o valor de mercado das criptomoedas encolheu US$ 200 bilhões em apenas 24 horas, com vendas maciças. Mesmo assim todos apostam no crescente interesse dos clientes por esses ativos virtuais. “O momento atual de preços das criptos não é relevante e o projeto da XP considera o potencial no longo prazo”, disse Rabechini.