Edição nº 1075 22.06 Ver ediçõs anteriores

Aplicativo 99: o que o primeiro unicórnio brasileiro nos ensina

Aplicativo 99: o que o primeiro unicórnio brasileiro nos ensina

E eis que o tão esperado unicórnio brasileiro apareceu. A Didi Chuxing, considerada a “Uber chinesa”, assumiu o controle do aplicativo 99, avaliando a startup nacional em US$ 1 bilhão. Parabéns ao pessoal da 99 e a todos os seus investidores. É um feito e tanto, sem dúvida. Diante desse fato extraordinário, cabe a pergunta: o que isso representa para o ecossistema de startups no Brasil? O que ele revela? Será um caso isolado, algo como um sortudo ganhar na Mega-Sena da Virada?

Algumas coisas que merecem ser analisadas nessa história. A primeira delas é que o ecossistema brasileiro todo ganha com essa notícia. Ter um unicórnio entre nós, algo tão cobiçado no mundo inteiro, releva o amadurecimento no mercado de startups no País, indicando para as grandes companhias globais de venture capital que aqui o setor pulsa e, aos poucos, vai se estruturando melhor.

Isso é importante porque o Brasil, como sabemos, tem passado uma péssima imagem para o mercado internacional. Instabilidade política, corrupção, recessão econômica…No meio dessa situação toda, não deixa de ser um sinal positivo.

Estímulo a novos investidores

Outro aspecto interessante é que serve de estímulo ao venture capital nacional. Afinal, um dos pontos em que o Brasil avançou algumas casas nos últimos anos foi na formação de um ecossistema de investimentos, com a chegada players na área de seed money, anjos, aceleradoras, gestoras de investimentos e as grandes companhias de investimentos. Até o poder público começou a prestar mais atenção no assunto.

Neste post no blog, por exemplo, comentei sobre a democratização dos investimentos e citei o lançamento do Fundo de Coinvestimento Anjo, criado pelo BNDES, destinado a startups com até R$ 1 milhão de faturamento e que possuam negócios inovadores. Pela iniciativa, as empresas selecionadas poderão receber aporte de R$ 500 mil do BNDES, desde que seja em conjunto, na mesma proporção, ao de um investidor-anjo e/ou aceleradora.

O fortalecimento desse sistema tem beneficiado empreendedores de diferentes mercados. Se no começo da onda de investimentos em startups, a partir de 2011 aproximadamente-, os alvos principais eram novas empresas de comércio eletrônico e aplicativos – a 99 foi fundada em 2012 -, os investimentos começaram a se diversificar de uns três para cá, como mostram os exemplos das áreas de finanças, saúde, educação e agricultura.

Sem esse sistema de fomento, com agentes atuando em cada etapa do processo – da fase de incubação, passando pela aceleração até a consolidação de um negócio -, não seria possível que hoje tivéssemos o primeiro unicórnio brasileiro.

O País ainda tem de percorrer um longo caminho até chegar a um ecossistema consolidado – isso sem falar na necessidade de melhorar o ambiente de negócios, o que passa por modernização jurídica e tributária, por exemplo. O importante, no entanto, é que os frutos começam a aparecer. Há um pouco do sonho de cada empreendedor na conquista histórica da 99.


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