Dinheiro em foco

“80% dos nossos clientes são do setor automotivo”

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Quem é Olavo Cabral Netto: Fundador e CEO da Listo; Ex-gerente de Estratégia Competitiva do Banco Schahin; Engenheiro, mestre e doutor em engenharia de produção pela USP. (Crédito: Divulgação)

A atuação do Banco Central (BC) para aumentar a concorrência no setor financeiro e como isso influencia os negócios da Listo, fintech de meios de pagamento, foram os temas da conversa do CEO da empresa com a DINHEIRO.

O Banco Central (BC) tem trabalhado na regulamentação das fintechs. Quais as vantagens que essa iniciativa trouxe para a Listo?
A Listo surgiu em 2014 como plataforma de meios de pagamento conectados com algum adquirente. No começo, nossa estratégia era ter vínculos com bancos, mas encontramos resistência por parte das instituições financeiras tradicionais. Então, decidimos trilhar um caminho independente. Em 2018, o BC aprovou a Resolução nº 4.656 para regular dois modelos de negócios oferecidos por fintechs, a Sociedade de Crédito Direto (SCD) e a Sociedade de Crédito entre Pessoas (SEP). Ambas passaram a ser tratadas como instituições financeiras, e não precisam mais fechar parcerias com bancos para oferecer crédito. Optamos por transformar a empresa em SCD, mas mesmo assim atualmente temos parcerias com alguns bancos porque a norma facilitou isso.

Vocês vão aproveitar essa condição de SCD para oferecer crédito aos clientes? Quanto vocês investiram para isso?
Sim. Recebemos autorização em 2019 e estamos desenvolvendo nosso portfólio de produtos. A Listo opera a nível nacional. Vamos criar produtos específicos para cada região do País, respeitando as peculiaridades locais. As normas do BC exigem um patrimônio mínimo de R$ 1 milhão e, para poder conceder crédito, nós vamos precisar de mais recursos do que isso. Aportamos R$ 2 milhões na SCD, um investimento que consideramos relativamente baixo.

O BC tem adotado medidas para aumentar a concorrência. Logo teremos o PIX e Open Banking. Como isso afeta sua empresa?
São soluções que vão trazer novas possibilidades para todo mundo. O Pix vai integrar várias carteiras digitais. E esse é o nosso principal desejo, porque passaremos a poder usar os recursos de uma carteira digital em vários estabelecimentos, além de várias situações do cotidiano. O Open Banking vai facilitar a vida de todos. Uma fintech nova, por exemplo, não tem histórico de clientes. Isso dificulta fazer a análise de crédito. Com o Open Banking ele terá acesso ao histórico do cliente em outras instituições, o que tornará a análise mais fácil. São duas iniciativas muito positivas.

Quem são os principais clientes da Listo atualmente?
Nossos serviços são oferecidos para pequenas e médias empresas dos setores de varejo e serviços. Cerca de 80% de nossos clientes são do segmento automotivo, lojas de autopeças e oficinas.

E como funciona?
Tudo on-line. O lojista faz a inscrição, recebe a visita de um consultor e, ao fechar o negócio, recebe nossa maquininha para processar pagamentos com cartões de débito e de crédito, além de ter acesso a ferramentas para controle de vendas e custos, parcelamentos, entre outros recursos. O cliente recebe pela venda em cartão no mesmo dia, mesmo que seja crédito parcelado. Isso é muito importante para o fluxo de caixa da empresa.

Como vocês antecipam as vendas ?
Cobramos um percentual por transação de venda. De fato, ao anteciparmos os recursos para o cliente, nosso caixa fica descoberto. A solução foi estruturarmos a operação a partir da emissão de cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Com esse modelo de financiamento, temos conseguido atender as necessidades de liquidez imediata de nossos clientes-empreendedores e concentrar nossos recursos no desenvolvimento de novos produtos. Desde o início das atividades
a Listo realizou duas emissões no valor total de R$ 450 milhões.

Como tem sido o desempenho da empresa?
Em 2018 processamos R$ 1,1 bilhão. Em 2019 esse valor mais do que dobrou, para R$ 2,7 bilhões. Faturamos R$ 100 milhões em 2018 e R$ 210 milhões em 2019. Nosso lucro também cresceu. Foi de R$ 41 milhões em 2018 e de R$ 92 milhões em 2019. Nossa empresa mais do que duplicou em 2019 e a meta era dobrar novamente de tamanho neste ano, mas a pandemia nos fez rever as metas. Não está claro o que vai ocorrer porque, apesar de notarmos uma boa recuperação da economia em geral, o setor automotivo foi muito atingido pela crise.

RECURSOS
Pontte recebe R$ 160 milhões

As medidas de restrição econômica para combater a pandemia do coronavírus elevaram o risco de inadimplência. Isso dificultou a captação de recursos pelas fintechs focadas em crédito. Mesmo assim, a Pontte, de crédito digital, conseguiu captar R$ 160 milhões junto a um investidor global em agosto. Parte dos recursos será utilizada para criar novos produtos e serviços, com foco no investimento em equipe e tecnologia. Outra parte vai assegurar capacidade financeira para atender o aumento na demanda por crédito, principalmente de pequenas e médias empresas.

INVESTIMENTOS
Ação é o ativo mais procurado

Levantamento da Fliper, fintech especializada na consolidação de investimentos mostra que as ações mantêm a liderança entre os investidores, com pouco mais de um terço das alocações, ou 33,61%, leve queda ante os 36,27% registrados em março. Na sequência aparecem a renda fixa pós-fixada, com 22,09% da preferência, e os fundos multimercados, com 19,16%. Ambos apresentaram crescimento em relação ao início de março, quando possuíam 20,15% e 17,18%, respectivamente. Perderam popularidade os fundos imobiliários, cuja preferência caiu para 8,47% ante 10,01% em março, e a renda fixa indexada à inflação, que caiu para 7,59% ante 8,26%.

Número da semana US$ 1,628 bilhão 

É o superávit das transações correntes em julho, abaixo do saldo positivo de US$ 2,235 bilhões de junho, informou o Banco Central (BC), na terça-feira (25). Foi o melhor resultado para um mês de julho desde 2006, quando houve superávit de US$ 3,007 bilhões. O resultado superou as expectativas, que eram de um saldo positivo de US$ 500 milhões. Em julho de 2019 o saldo havia sido negativo em US$ 9,790 bilhões. No acumulado do ano até julho, o déficit nas contas externas soma US$ 11,798 bilhões. A estimativa atual do BC é de um déficit em conta corrente de US$ 13,9 bilhões em 2020. Nos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 31,737 bilhões, o que representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o menor porcentual desde outubro de 2018 (1,98%). O BC também divulgou que a remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 669 milhões em julho, volume inferior aos US$ 3,016 bilhões enviados em igual mês do ano passado, já descontados os envios de recursos.

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