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24 hora$ de Le Man$

A mais dura prova do automobilismo tem orçamento milionário e é campo de prova para testar novas peças e tecnologias 

O gigantesco cronômetro Rolex, no início da reta dos boxes, mostra os minutos que faltam para a largada. Dois Audi R8 dão as últimas voltas na pista de mais de 13 quilômetros para conferir se está tudo nos devidos lugares. No paddock da Peugeot, clientes vips se encontram para tomar champagne. Francês é claro.
 



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A última edição do evento ocorreu entre os dias 12 e 13 de junho e consagrou a equipe da Audi

 

Nos boxes, o Bibendum, o famoso boneco da Michelin, tira fotos com clientes trazidos por dezenas de empresas dos quatro cantos do mundo. Essa é a prova chamada de 24 horas de Horas de Le Mans, que transpira marketing por todos os poros. Em sua 78ª edição, ela ocorreu entre os dias 12 e 13 de junho e consagrou a equipe da Audi como vencedora. Mas a corrida parece ser só um detalhe para que as ações dos patrocinadores possam acontecer. E elas estão por todos os cantos, começando no tradicional desfile dos pilotos que ocorre no centro da cidade e que reúne 180 mil pessoas, mais do que a população da cidade que é de 146 mil moradores.
 
Le Mans está no seleto grupo das grandes provas do automobilismo mundial. Ela tem a importância da prova de Indianápolis para a Fórmula Indy ou a de Mônaco para a Fórmula 1. Mas, ao contrário dessas duas corridas de carros, em Le Mans ser o mais rápido não basta. A resistência é ponto fundamental para se vencer aqui.

Com duração de 24 horas e um circuito de 13 quilômetros, ela é considerada a corrida de circuito mais difícil do mundo e foi criada para ajudar a desenvolver a indústria automobilística. Várias montadoras e fornecedores escolhem justamente essa prova para testar equipamentos que depois estarão nos carros de linha. Em Le Mans, o departamento de engenharia trabalha em conjunto com o de marketing – que aproveita o evento para estreitar laços com clientes ou consumidores em potencial.



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A prova reúne basicamente três tipos de equipes. A primeira é composta por aqueles que querem apenas correr sem grandes pretensões. Em geral parte dos custos é bancada pelo próprio piloto, milionário ou que traz algum patrocinador para a equipe. No segundo grupo estão às equipes intermediárias e que compram os carros das montadoras.

O terceiro grupo é coisa de gente grande. Reúne montadoras – como Peugeot, Aston Martin, BMW, Corvette e Ferrari – e carros equipados com o que há de melhor em tecnologia e desenvolvimento. Utiliza os softwares de última geração. Seus carros são testados em diversos circuitos para ganhar confiabilidade dos componentes especialmente desenvolvidos para eles.

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Independentemente do grupo, cada equipe que consegue um lugar ao sol já é vitoriosa. Este ano, depois da crise que afetou o setor em 2009, mais de 80 equipes pretendiam colocar um carro no grid, mas só 55 conseguiram. Calcula-se que a equipe mais simples desembolse perto de US$ 1 milhão para aprontar um carro para a corrida.

Apesar de nenhuma empresa falar de investimentos, o mercado estima que a Audi, a maior vencedora da prova da década, tenha um orçamento de US$ 100 milhões somente para Le Mans. Nestes custos estão incluídos os salários dos nove pilotos e de toda equipe de engenheiros, liderada por Wolfgang Ullrich, já considerado uma lenda no setor. Para a corrida, aproximadamente 200 pessoas trabalham nos boxes da equipe.

Fora da pista, 700 convidados da marca alemã participaram de um programa que custou e 3,7 mil por cabeça e que incluía vários mimos. Além do direito de assistir à corrida, eles ganham acomodação em um hotel construído especialmente para a prova, traslado em carro de luxo, iPod com informações da prova, alimentação, bebida, shows, passeio de helicóptero, corrida de kart e até test-drive na pista do aeroporto da cidade. 

Pela primeira vez sete brasileiros participaram deste programa. “Sempre quis conhecer essa prova, mas não tinha a menor ideia de como vir para cá com conforto e segurança” diz o empresário Hermenegildo Fração Júnior, um dos convidados da Audi. “Estou impressionado com o que estou vendo. No ano que vem volto e ainda trago meu filho” completa o empresário. Com dois carros  importados na garagem, Hermenegildo já pensa em comprar um veículo da Audi. Como se pode ver, Le Mans já produz frutos logo após a bandeirada de chegada.


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