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Novos rituais de consumo: sem pompa, free gender e cannabis na prateleira

Janeiro é quando os profissionais de consumo e varejo do mundo todo vêm a Nova York em função do NRF Big Show, evento mais importante do segmento. Aproveitam também para fazer visitas a lojas locais e ver o que tem de novo acontecendo nessa área. Os brasileiros – que são a segunda maior delegação do mundo – só perdem para os próprios americanos – que circulam pelo comércio local, fazendo com que o português reverbere pelas calçadas, shoppings e lojas. A própria NRF disponibiliza uma lista com sugestão de visitas. Tive a oportunidade de assistir a uma apresentação, intitulada Store Tour 2019 – NYC’s Most Interesting New Concepts, que explica por que as lojas a seguir foram indicadas.

Gucci  No segmento das loja de luxo, a Gucci Soho, a grande vedete da temporada, definitivamente é a loja de luxo menos intimidadora que já entrei. Parece um grande galpão que combina elementos tradicionais e modernos, num prédio tombado, com ar vintage, mas ao mesmo tempo incrivelmente moderno. É impossível não querer entrar para conhecer e, se sua conta bancária permitir, também comprar. Nenhuma pompa. A música toca alta. Gigantes telas de LED com vídeos pós-modernos convivem harmoniosamente com as paredes de tijolos à vista e os pisos de madeira originais. Os vendedores são jovens e ecléticos, atendem os clientes de forma informal e atenciosa. Eles são chamados de Gucci Connector (“storytellers” da marca). Na medida em que você anda pela loja vai trocando de vendedor e aproveitando para conversar com diferentes personas. Um deles me contou que a gigantesca pintura de cores vibrantes ao centro do piso de madeira levou três semanas para ser pintada a mão por artistas italianos. Não é um varejo tradicional. É uma experiência de marca em quase 1.000 metros quadrados. Mais ao fundo da loja, uma pequena sala de projeção, assim como uma pequena charmosa loja de livros de arte, moda e cultura, onde ocorrem eventos para convidados e clientes. Torça para ser convidado.

Bottega Veneta  A Gucci, porém, não brilhou sozinha entre as marcas de luxo tradicionais de moda. A Bottega Veneta abriu, há poucos dias, a sua nova loja na cidade. Três casas se juntaram numa esquina da Madison Avenue para materializar em quase 1.500 metros quadrados e cinco andares, o que eles chamam de Maison. O apelido faz jus ao espaço. A sensação que se tem é que se entra numa casa elegante e confortável, mas ao mesmo tempo moderna. Vigas industriais expostas e uma maravilhosa escadaria de vidro ondulante convivem com um mobiliário refinado e uma paleta de cores suaves – cinza, verde e bege. Fomos recebidos por Gerrit Kuetzel, CEO das Américas, o que adicionou um entendimento maior do negócio. “Nós não acreditamos em logomarca. Acreditamos que a qualidade do produto fala por si só”. E isso é o que se encontra lá: 30% de todos os produtos são feitos 100% a mão num ateliê na Itália. Além das roupas e acessórios, masculino e feminino, joalheria, perfumes, a loja traz sua nova linha de mobiliário, exposta no último andar, num espaço chamado The Apartment, que também funciona como galeria de arte onde acontecem eventos para convidados e clientes. Imagina aquele entrelaçado icônico da marca, agora, no sofá da sua casa. A marca prima pela elegância discreta. Prefere não estar na confusão da Quinta Avenida e oferecer mais conforto ao cliente até para desembarcar e entrar na loja. Agradecemos!

The Phluid Project  Outra loja que chamou bastante atenção foi a The Phluid Project – a primeira marca a se auto denominar free gender, ou seja, buscar atender qualquer classificação de gênero que possa existir na sociedade contemporânea. A marca procura não só oferecer produtos (roupas acessórios e livros), mas também ser a base para encontros da comunidade alinhada com esses valores. Faz  parcerias com grandes marcas e curadoria de produtos que atendam bem a esse exigente público. Eventos são constantes e a agenda está disponível no site da marca. O fundo da loja tem um café, assim como uma pequena arquibancada colorida em que você pode sentar para descansar ou até trabalhar, tudo com Wi-Fi. Esse conceito está muito alinhado com o que foi discutido na NRF de espaço multipropósitos.

MedMen  Outra loja que visitei que foi muito debatida nesses últimos dias é a MedMen. A loja se classifica como o primeiro varejo de cannabis do mundo. Você entendeu certo! Estamos falando daquela erva verde ilegal no Brasil. Aqui em Nova York, os produtos disponíveis ainda estão limitados aos medicinais, já que a legislação também não permite seu consumo. O tema será votado pela justiça do estado em fevereiro, já que Nova York é um dos 20 estados americanos (em 50) que permitem o uso medicinal da erva – outros 10 permitem o uso recreativo. Mas naqueles onde a erva já foi liberada, você poderá escolher entre mais de 1500 espécies disponíveis, sendo atendido por um consultor que vai te explicar tudo, por meio de um catálogo moderno cuidadosamente desenhado para tirar aquela imagem hippie, geralmente associada ao produto. Tudo apresentado em tabletes num ambiente todo branco. A loja lembra vagamente o ambiente da Apple Store, tudo minimalista e moderno. Sua maior missão, segundo o executivo da marca, David Dancer, é tirar o estigma relacionado ao produto.

 

 

Cecília Andreucci é mercadologista, mestre em consumo e doutora em comunicação.  Consultora, conselheira de administração e docente de pós-graduação, tendo atuado como executiva de marketing e vendas em empresas de consumo e varejo.

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