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10 perguntas para Stefano Colli-Lanzi

Crédito: Claudio Gatti

“O agro é uma área no qual não somos fortes. Queremos ser muito atuantes nesse mercado” Presidente mundial e fundador da Gi Group. (Crédito: Claudio Gatti)


Fundador e presidente do Gi Group, multinacional de Recursos Humanos sediada em Milão, na Itália, e presente em cerca de 60 países, Stefano Colli-Lanzi esteve em São Paulo, nos dias 12 e 13 de fevereiro, para participar de uma convenção envolvendo executivos e demais funcionários da empresa no País. Em entrevista à DINHEIRO, o executivo disse que a operação brasileira faturou R$ 400 milhões no ano passado, 23% a mais que em 2018, e que a meta é alcançar R$ 1 bilhão em faturamento em 2023. Por dois anos seguidos, o Brasil foi o mercado que mais cresceu dentro do grupo e hoje ocupa a terceira posição no ranking. Presente em 11 estados, o Gi Group deverá dar mais atenção às empresas do setor de agronegócio nos próximos anos, segundo Colli-Lanzi. Está em estudo a abertura de filiais em Goiânia ou em Brasília para se aproximar das empresas do segmento. “É uma área muito importante no qual ainda não somos fortes.”

Qual foi o desempenho do Gi Group no Brasil?
No ano passado faturamos R$ 400 milhões no Brasil, 25% a mais do que no ano anterior. No que diz respeito ao volume de contratações, foram 36 mil em 2019. A operação brasileira foi a que mais cresceu nos últimos dois anos, mais até do que a Itália, nosso maior mercado, e já ocupa o terceiro lugar no ranking. A Grã Bretanha está na segunda posição.

Como foi possível atingir esse índice de crescimento em um país onde o desemprego está em dois dígitos há anos?
Quando chegamos ao Brasil, não éramos tão fortes. Então, para aumentar nosso market share usamos toda nossa expertise para providenciar aos nossos clientes e ao mercado como um todo respostas que até agora ninguém era capaz de oferecer, que ninguém conseguia entregar de forma tão massiva. Além disso, nossa estratégia foca, desde o início, na conquista de grandes clientes. Procuramos atender as necessidades deles em todo o Brasil, com capilaridade, o que não é fácil porque estamos em um País muito grande e não é todo mundo que consegue prover serviços para companhias com plantas em diferentes lugares.

Houve uma mudança recente na legislação trabalhista. Ela teve algum impacto no resultado de vocês?
A Reforma Trabalhista foi boa para o País. Parte do nosso desempenho se deve à atualização da Lei de Trabalho Temporário que estimulou as empresas a adotarem o uso dessa modalidade de contratação. Setores como o de varejo, telecomunicações, hotelaria, serviços, agronegócio, bancos e tecnologia da informação foram os que mais se destacaram. Mas ela ainda é mais rígida do que em outros lugares, onde é permitido fazer contratos temporários de até dois anos, o que reduz custos.

Quais são os serviços da Gi que as concorrentes não conseguiam entregar?
Há situações em que você precisa contratar 500 ou 600 pessoas em um tempo curto, às vezes para atuarem em diferentes lugares, que talvez apenas empresas como a nossa conseguem providenciar. Não somos uma companhia local, mas estamos em vários lugares do Brasil. Eu acho que muitas empresas aqui são jovens e não tão especializadas quanto nós. Isso também nos ajudou a ganhar mercado.

É difícil encontrar profissionais de acordo com as necessidades das empresas?
Não é tão difícil encontrar profissionais qualificados no mercado brasileiro. Há bastante mão de obra disponível, porém, há um desencontro entre o que as empresas precisam e o que os candidatos desejam fazer profissionalmente.

Em qual linha de profissionais a Gi Group tem focado?
Nosso foco são os profissionais de média gerência e no mercado de mão de obra massiva. Também trabalhamos com cargos de nível mais alto, mas em menor proporção porque não é nosso foco no momento.

Em quais setores a atuação de vocês é mais forte?
Sempre estivemos muito conectados à indústria automotiva e esse ainda é o caso também no Brasil, embora esse segmento esteja perdendo força. Temos também clientes muito importantes nos setores de bens de consumo, varejo e telecom.

A indústria manufatureira vem perdendo participação no Produto Interno Bruto. O agronegócio, ao contrário, cresce ano a ano. É um setor forte para vocês?
Nossas operações no Brasil começaram em 2008 por São Paulo onde estão concentradas empresas de outros setores. O agronegócio é uma área muito importante no qual ainda não somos muito fortes. Mas queremos criar as condições para tornar o Gi Group muito atuante neste mercado. Talvez seja necessário abrir novas filiais e já estamos estudando isso. Podemos abrir filiais flexíveis onde for necessário, mas eu acho que Goiânia ou Brasília podem receber filiais fixas.

Qual sua expectativa com relação à economia brasileira e mundial?
O Brasil tem um potencial de crescimento incrível nos próximos cinco anos. É um país muito interessante e nos sentimos em casa operando aqui. É culturalmente próximo da Itália. Já somos a primeira do ranking entre as empresas de RH estrangeiras que operam no País e queremos manter isso. Em termos globais nossa avaliação é semelhante. Faturamos 2,6 bilhões de euros no ano passado e até 2023 queremos chegar aos 6 bilhões de euros no mundo.

Essas metas serão atingidas organicamente ou vocês sairão às compras?
Organicamente e também por meio de aquisições planejadas já para este ano.
No Brasil pretendemos fazer pelo menos uma aquisição. Estamos em busca de oportunidades.