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10 perguntas para Bruna Soares diretora de Parcerias Estratégicas e Business Diversification da Ubisoft

“O gamer é um consumidor bem exigente e muito aberto ao consumo”

Crédito: Divulgação

Bruna Soares começou a trabalhar com games há dez anos. Inicialmente, numa assessoria de imprensa. Há quase oito migrou para a Ubisoft, onde acaba de ser promovida ao cargo de diretora de Parcerias Estratégicas e Business Diversification para a América Latina. A gigante francesa, fundada em 1986 por cinco irmãos, teve no ano fiscal encerrado em março receita líquida de 1,5 bilhão de euros e dez dos jogos criados pela companhia já passaram de US$ 1 bilhão em vendas. No papel, Bruna será responsável por fazer com que esse mundo de desejo de gamers atraia também o interesse de empresas de todos os segmentos. “As marcas vão fazer cada vez mais parte dos games e de forma duradoura”, afirmou à DINHEIRO. Hoje, esse mercado movimenta US$ 160 bilhões por ano e em 2023 deverá quebrar a barreira dos US$ 200 bilhões. As projeções são animadoras. De acordo com o estudo Gaming Market – Growth, Trends, Forecasts (2020-2025), da Mordor Intelligence, essa indústria vai movimentar em 2025 cerca de US$ 257 bilhões. Já supera a do cinema e da música juntas e no mundo do entretenimento só fica atrás da televisão.

ISTO É DINHEIRO – O mundo dos games passa por uma transformação e cada vez mais as receitas virão não apenas dos jogos. Como isso está na Ubisoft?
BRUNA SOARES – Trabalhamos com business units diferentes, mas no Brasil atuamos de uma forma muito compartilhada. A maior parte da receita da empresa vem de vendas do jogo em si. Sejam os digitais ou os físicos. Depois, você tem toda a parte da monetização em gaming, que é a partir do jogo, toda a economia que gira em torno dele. Hoje, a minha proposta é olhar também outros modelos. Se você observar os mercados do entretenimento, como a indústria do cinema, quando se lança um filme, um mês antes tem bonecos, comics, em torno do produto principal. Em game, a gente chegou meio atrasado nisso.

E há um espaço imenso de consumo.
Sim. Você tem muitos gamers. A gente trabalha hoje com o número de 2,1 bilhões de jogadores. Metade é de mulheres. São pessoas que dedicam boa parte do tempo a seus jogos favoritos. Então, dentro da Ubisoft, uma coisa que foi pensada é: “Como a gente vai ficar mais perto dos nossos jogadores?”.

Faz parte da estratégia atrair também gente que não orbita necessariamente no mundo gamer?
Há uma demanda muito recente de grandes marcas, que estão acompanhando a mudança das pessoas ao consumir mídia. De uns dois anos para cá, essas marcas vieram muito forte. E o que temos como soluções? Tem a marca estar dentro do jogo, aparecendo num outdoor, por exemplo. Tem licenciamento. Tem branded content, porque é possível fazer conteúdo dentro das nossas páginas, falando com o gamer. A gente tem evento também. E o grande destaque, que é o e-sports. Tudo dentro dessa unidade que estou liderando, de business diversification.

E como as marcas têm recebido?
Nosso objetivo com elas é estabelecer parcerias de longo prazo. Porque a gente percebeu que a gente recebia muitas agências dizendo: ‘Olha, a gente fez um brainstorming aqui e veio com uma ideia pronta. Vocês conseguem fazer?’ E muitas vezes dizíamos ‘não’. Mas não porque não desse, e sim porque a ideia não fazia sentido para o nosso público.

Por que esse desejo, de certa forma repentino, das marcas?
O mercado de games hoje oferece para elas uma porta de entrada bastante interessante para um público que é bem exigente. E ao mesmo tempo esse público tem um comportamento para consumo que é muito aberto. Para atender bem a essas marcas, a gente criou um grupo com criativos para desenvolver as propostas. Um hub criativo, como se fosse uma agência para nossas parcerias.

É possível para uma empresa nacional estar inserida num game global?
Super. Na verdade, isso é um dos nossos grandes objetivos. Porque eu também não quero transformar a Ubisoft numa empresa na qual a marca chega, faz ali uma ação pontual e depois vai embora. Porque não é disso que o mundo de games precisa. A gente precisa de profundidade. É possível fazer uma integração só para o Brasil, mas é o mesmo trabalho para uma integração global. Buscamos relações de longo prazo.

E aí entram as chamadas marcas endêmicas e não endêmicas ao universo dos games.
Sim. As marcas endêmicas já fazem isso naturalmente. A nova onda são as marcas não endêmicas, que não fazem parte do ecossistema e agora querem estar mais próximas dos gamers.

Quantas parceiras vocês têm? A maioria ainda é endêmica?
Sim, ainda é endêmica. E este é o meu desafio: fazer as marcas não endêmicas ultrapassarem. Acredito que, num período de até dois anos, acontecerá essa mudança. Hoje, temos quase 30 parcerias. Não temos dúvidas de que várias marcas estarão com a gente, em pouco tempo. Vai conseguir melhores resultados aquela que tiver uma boa história, que esteja numa relação de longo prazo.

O público brasileiro tem um perfil diferente em relação a jogadores
de outros lugares?
Temos um portfólio de jogos um pouco mais maduro. Então, o público brasileiro da Ubisoft é mais velho. A média é de 34 anos e com poder aquisitivo maior. Além disso, há o crescimento do número de mulheres jogando. Mas não só. Consumindo os livros. Dos 3 milhões de exemplares de Assassins Creed vendidos, 1,5 milhão foram no Brasil e mais da metade para mulheres. Muitas pessoas que nunca jogaram, por vários motivos, conhecem a série de jogos pelos livros, vestem a camiseta…

Qual o seu jogo preferido?
Sou muito fã de Assassins Creed. É cultura pop.

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