Negócios

T-Systems com a cabeça nas nuvens

Braço de tecnologia do grupo Deutsche Telekom aumenta investimentos para atender demanda maior no País

Crédito: Claudio Gatti

Salto: a T-Systems, do CEO Ideval Munhoz, vai investir R$ 20 milhões na expansão do seu data center (Crédito: Claudio Gatti)

Em um contraponto aos resultados pífios de boa parte da economia local, o mercado brasileiro de computação em nuvem vem registrando índices expressivos de crescimento nos últimos anos. Em 2016, levando-se em conta apenas as nuvens públicas (nas quais a infraestrutura é compartilhada por diversos usuários), o salto de faturamento foi de 20% no País, para US$ 712 milhões, segundo a consultoria IDC. Para 2017, a previsão é de uma expansão no mesmo patamar para todo o segmento. Dona de uma receita global de € 7,9 bilhões em 2016, a alemã T-Systems, braço de tecnologia do grupo Deutsche Telekom, está atenta a essas projeções.

“A nuvem é a nossa prioridade”, diz Ideval Munhoz, presidente da T-Systems no Brasil. “As empresas que ainda não estão nesse modelo vão migrar nos próximos dois ou três anos. É fato.” A certeza do executivo de 57 anos se traduz em investimentos. Depois de um aporte de R$ 75 milhões nas duas primeiras salas de seu data center em Barueri (SP), a T-Systems vai destinar R$ 20 milhões para a expansão dessa estrutura. O novo montante é resultado da ampliação de um contrato com uma operadora de telecomunicações, de nome não revelado, que hospedava parte de suas aplicações em nuvem no local. Nos novos termos, a parceria será válida por dez anos e compreenderá 100% dessas operações.

DIN1001-tsystems2Inaugurado em 2011, o centro de dados atende cerca de 200 clientes, entre eles, Shell, Kroton e Qualicorp. Uma das novidades na carteira é a brasileira Engine, que oferece softwares de gestão empresarial via nuvem e fechou um contrato de dez anos com a T-Systems. Para Pietro Delai, analista da IDC, esse modelo vem ganhando tração pela necessidade das empresas transformarem a tecnologia em uma área de custo variável, especialmente diante da crise. “E, por sua elasticidade e flexibilidade no custo, a nuvem é dos mecanismos mais adequados”, diz. Outros fatores explicam essa guinada. “A transformação digital demanda rapidez, que é própria desse modelo.”

Além da unidade de Barueri,a T-Systems responde pela gestão dos centros de dados da Volkswagen e da Mercedes-Benz no País. Com a estrutura própria praticamente toda contratada, a empresa avalia a necessidade de um novo data center no País, a princípio, para o fim de 2018. “A demanda já justifica”, diz Munhoz. Outros projetos estão no radar. A companhia estuda investir em startups locais para incrementar seu portfólio, em linha com o que já faz em outros países. Em janeiro, por exemplo, a T-Systems fez um aporte de US$ 3,1 milhões na Roambee, novata do Vale do Silício que desenvolve sensores para setores como logística, dentro do conceito de Internet das Coisas.

Com sede em São Paulo e 12 filiais no Brasil, a T-Systems também vai investir na expansão de algumas dessas unidades. Um dos destaques é a estrutura de Blumenau, que conta com 550 profissionais e presta serviços de suporte e desenvolvimento de software, inclusive para a matriz alemã. Embora não revele a receita local, Munhoz diz que a operação cresceu 10,5% em 2016. Em 2011, último ano em que a companhia divulgou seus resultados no Brasil, o faturamento foi de R$ 358,3 milhões. “O ano passado foi difícil, com negociações duras e muitos projetos adiados”, diz Munhoz. “Mas conseguimos conquistar bons contratos, de longo prazo, que nos dão uma boa perspectiva para seguir acreditando no Brasil.”