Edição nº 1037 22.09 Ver ediçõs anteriores

Será que Lemann conseguirá comprar a Unilever?

Será que Lemann conseguirá comprar a Unilever?

O estilo de fazer negócios de Jorge Paulo Lemann é agressivo. Dessa vez, ele tenta levar a Unilever. Conseguirá?

Ao longo de sua trajetória, o empresário Jorge Paulo Lemann destacou-se pela sua ousadia nos negócios, conseguindo alinhavar fusões consideradas impossíveis pelos analistas.

Nesta sexta-feira 17, a Kraft Keinz, que é controladora pelo seu fundo 3G, Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, fez uma oferta de US$ 143 bilhões, em dinheiro e ações, para comprar a gigante britânica Unilever.

Em um primeiro momento, a oferta foi recusada pelos acionistas da Unilever. O que não quer dizer muito coisa em se tratando das estratégias de Lemann e seus asseclas. Foi assim em muitos negócios, como a recente compra da SABMiller, pela AB Inbev, em uma transação de US$ 108 bilhões.

A forma como Lemann transformou a falida Brahma em um império que o levou ao topo do mundo cervejeiro ilustra bem sua forma de fazer negócios.

Em 1989, Lemann em conjunto com Marcel Telles e Beto Sicupira comprou a Brahma, que passava por problemas financeiras. Dez anos depois, ele a uniu com a Antarctica, dando origem Ambev, a maior cervejaria do Brasil.

Para Lemann, que se notabilizou pela frase de que “sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho”, ser o maior do Brasil era pouco.

Em 2004, ele fez a fusão da Ambev com a belga Interbrew. Quatro anos depois, foi a vez de avançar para cima da americana Anheuser Busch, que produzia a Budweiser. Em quase 20 anos, ele, de fusão em fusão, deu forma a maior cervejaria do mundo.

Com o fundo 3G, não foi diferente. Dessa vez, no entanto, ele mirou alvos internacionais, sempre na área de consumo.

Em 2010, o 3G fez sua primeira grande aquisição: a rede de lanchonetes Burger King, negócio fechado por US$ 3,3 bilhões. E, no estilo de ir fundir ativos, ele uniu o Burger King ao canadense Tim Hortons, em 2014, numa transação de US$ 11,5 bilhões.

Em 2013, em parceria com a empresa multinacional Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, o 3G comprou a fabricante americana de ketchup H. J. Heinz Company, em um negócio avaliado à época por US$ 23,2 bilhões

Em julho de 2015, a Kraft Heinz Company anunciou a conclusão do processo de fusão entre Kraft Foods Group e Heinz Holding Corporation. A operação criou a terceira maior empresa de alimentos e bebidas da América do Norte e a quinta maior empresa de alimentos e bebidas do mundo.

Agora, Lemann quer uni-la a Unilever. O faturamento somado das duas empresas é US$ 84,8 bilhões. Está atrás apenas da Nestlé, que faturou US$ 91,2 bilhões no ano passado.

Analistas acreditam que dessa vez não será fácil convencer os acionistas da Unilever de que a transação vale a pena. É esperar para ver se o toque de Lemann conseguirá dobrar os britânicos. Mas, como disse a jornalista Cristiane Correa, biógrafo do empresário brasileiro: “Não há limite para Lemann”. A conferir os próximos capítulos.


Mais posts

O que o Google quer com a divisão de smartphones da HTC?

Não chega a ser uma surpresa a compra da divisão de smartphones da taiwanesa HTC por US$ 1,1 bilhão pelo Google, anunciada nesta [...]

Por que o iPhone 8 será altamente dependente de tecnologia da Samsung

A Apple e a Samsung são os dois principais competidores no mercado de smartphones. Mas o que ninguém imagina é que a empresa da maçã é [...]

O incrível salto do Magazine Luiza, que já vale mais que a Natura

A rede varejista Magazine Luiza se tornou um fenômeno na Bolsa. Em pouco menos de dois anos, seu valor de mercado saltou de menos de R$ [...]

Multiplus amplia teste com cartão de débito

O programa de fidelidade Multiplus ampliou os testes com cartão de débito, que começaram em julho deste ano com as bandeiras Visa e [...]

Quem é Dara Khosrowshahi, novo CEO da Uber

A Uber parece ter encerrado sua tumultuada busca para substituir Travis Kalanick como seu CEO. Apesar de nomes de peso, como Meg [...]
Ver mais