Edição nº 1019 19.05 Ver ediçõs anteriores

A retomada da Semp

A retomada da Semp

Em agosto do ano passado, a Semp anunciou uma profunda mudança em sua estrutura. A Toshiba, sua parceira histórica, saía de cena para dar lugar aos chineses da TCL, a terceira maior fabricante de televisões do planeta. A joint-venture, 60% da Semp e 40% da TCL, recebeu um aporte de R$ 200 milhões e agora começa a render os frutos. Em abril, a companhia lança uma nova linha de smart tv, fez uma parceria com a Rede Globo para que os controles remotos tenham o botão Globo Play (serviço de streaming da emissora) e ainda estuda lançar smartphones e tablets. Ricardo Freitas, presidente da Semp TCL, falou com a coluna:

A Semp vinha de uma parceria de quase 40 anos com a japonesa Toshiba e se uniu à chinesa TCL. Como tem sido essa relação?
O que eu posso dizer é que a parceria está indo muito bem, estamos em lua de mel. Tivemos uma parceria com a Toshiba, que durou quase 40 anos, e estávamos acostumados com esse tipo de relacionamento. Não é fácil unir duas culturas diferentes, com fuso horário muito distante. Você tem de fazer reunião às 7h da manhã ou às 7h da noite. Há uma série de dificuldades para driblar, mas, para nós, que já vínhamos nessa toada com os japoneses, não foi difícil. E os chineses da TCL são ágeis e fáceis de lidar. Introduzimos a marca cumprindo todas as metas que estabelecemos.

Quais foram os primeiros lançamentos da parceria?
Foram as telas de 48 e 55 polegadas com a tecnologia 4K. Aí, na sequência iniciamos a produção de 32, 40 e 48 polegadas. Agora, estamos lançando uma linha nova de smart tv de até 75 polegadas. São modelos mais modernos que têm até a tecla GloboPlay no controle remoto, além do aplicativo embarcado na televisão. Ter a tecla no controle faz toda a diferença em termos de funcionalidade.

Como foi essa parceria?
Foram alguns meses de desenvolvimento. Repensamos o design do controle-remoto, definimos o processo de ativação do controle para a funcionalidade.

A Rede Globo pagou para ter essa tecla no controle?
Não posso falar quais são as contrapartidas porque o contrato não permite que eu revele.

Por conta dos quase 40 anos de Brasil, a marca Toshiba já estava gravada na memória dos consumidores. A TCL não tem essa mesma ligação. O que está sendo feito para desenvolver a marca?
A TCL é a terceira maior fabricante do mundo de TV, o quinto maior fabricante de painel, presente em mais de 170 países. Os varejistas médios e grandes conhecem a TCL das feiras internacionais. Com o consumidor, como é uma marca nova, vamos trabalhar a imagem.

Qual é a participação da Semp no mercado de tevês?
O mercado inteiro retraiu muito. Em 2014, ano da Copa, fechou em mais de 15 milhões de telas. Um ano depois, chegou a 9 milhões de telas e, em 2016, foram 8 milhões de unidades. Hoje, temos 8% do total.

Hoje as pessoas assistem ao que querem, na hora que bem entendem, no celular, no tablet e em outros aparelhos. O que o faz acreditar no negócio de televisão?
Acho que a televisão não sai de mercado nem no curto e nem no médio prazo. A redução das vendas de aparelhos de televisão aconteceu devido à queda da economia brasileira. Não é como o tablet, que perdeu espaço para o smartphone. A tendência mundial é a de que a tevê continue, e com telas cada vez maiores.

A queda no mercado brasileiro foi grande. O senhor acha que recupera?
Não tenho a menor dúvida disso. À medida que a economia voltar a crescer, o volume de vendas será recuperado. Pode demorar uns dois anos ou mais, mas voltará.

Depois dessa avalanche, que devastou a economia brasileira, muitas empresas tiveram de reduzir de tamanho. O que aconteceu com a Semp?
Já vínhamos fazendo uma reestruturação e um grande ajuste, em 2014. A crise pegou a gente com o processo de ajuste já iniciado. Para dar uma referência, trouxemos a empresa de 1,6 mil funcionários, no primeiro trimestre de 2015, para 700 funcionários hoje. O faturamento caiu de R$ 1,1 bilhão, em 2014, para R$ 600 milhões no ano passado. Quando há uma crise do tamanho da que tivemos, quem sente primeiro é a indústria nacional. Mexe com o câmbio, diminui o volume de produção, impacta em toda a cadeia e o consumo diminui. Mas agora já dá para enxergar um Brasil que bateu no fundo do poço e está retomando o crescimento.

O que o leva a crer nisso?
Em primeiro lugar, a queda da inflação. Com isso, cria mais espaço para baixar os juros, o que o Banco Central já está fazendo. Terminando o ano com uma taxa de juros entre 8% e 9%, isso estimula o crédito. E, quando você vê o governo liberando as contas inativas do FGTS, que injeta R$ 30 bilhões na economia, é positivo.

A liberação do dinheiro das contas inativas do FGTS impacta o seu negócio?
Sim, porque, ao mesmo tempo, o setor está passando por uma transição de tecnologia. O Brasil está encerrando a transmissão analógica e tornando a transmissão digital obrigatória (em São Paulo, isso acaba no dia 29 de março). Vai fazer muita gente comprar um conversor, mas também tem aqueles que aproveitarão para comprar uma televisão nova.

Quais outros produtos a empresa pretende fabricar?
A TCL é uma grande fabricante de tablet, é dona da Alcatel, uma das maiores em celular no mundo, e também é uma das maiores exportadoras de aparelho de ar-condicionado da China. Estamos mapeando essas áreas.

(Nota publicada na Edição 1010 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Márcio Kroehn)

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