Edição nº 1031 11.08 Ver ediçõs anteriores

R$ 2 bilhões em dois anos

R$ 2 bilhões em dois anos

Ela foi eleita pela revista americana Fast Company, a bíblia da inovação, uma das mais promissoras do mundo por mexer com o setor financeiro ao oferecer crédito com taxas de juros muito mais baixas do que a média do mercado. O segredo? “Aqui no Brasil as ideias geralmente são copiadas de fora”, diz Sergio Furio, CEO e fundador da fintech Creditas. “O que fizemos foi pegar um problema real brasileiro, botar uma solução real brasileira, usando a tecnologia para ajudar a população.” A empresa, que já recebeu aportes de R$ 90 milhões de fundos de venture capital e possui carteira de crédito ativa de R$ 200 milhões, agora busca se financiar por meio de FIDCs. E isso tem seduzido family offices e fundos de pensão. “Em dois anos, pretendemos captar R$ 2 bilhões”, diz Furio.

O que fez a Creditas chamar a atenção do mercado?
Somos uma plataforma digital de crédito com garantia. Usamos as propriedades das pessoas como garantia de crédito com dois objetivos: o primeiro é reduzir drasticamente a taxa de juros que pagam por um empréstimo e o segundo é incrementar o prazo de endividamento. No Brasil, o endividamento das famílias é de R$ 1,5 trilhão e taxas de juros que chegam a 200%. O que vimos é que as pessoas tinham propriedades e podiam usar como garantia para uma operação de crédito.

E para quanto vocês conseguem baixar a taxa de juros dos empréstimos?
O crédito com a garantia do imóvel sai 15% ao ano e o crédito com o veículo como garantia sai 23% ao ano. O cliente que vem falar com a gente deixa de pagar uma média de 200% ao ano. Ao mesmo tempo, alongamos o prazo de pagamento e permitimos uma reestruturação do orçamento familiar.

Seus clientes são aqueles que trocam as dívidas?
É um dos principais perfis. Uma pessoa que tem uma dívida no cartão, pagando 250% ao ano, e que passa a pagar 23%. Alongamos e deixamos esse endividamento mais saudável e barato. Esse é um dos nossos eixos, usar a garantia para baixar a taxa. O outro eixo é a tecnologia. Os juros não estão altos no Brasil porque o cliente é mau pagador, mas sim porque os custos do mercado são muito altos. Com a tecnologia, reduzimos os custos operacionais e de marketing. No final, se você junta as duas peças, a garantia, para reduzir a inadimplência; e a tecnologia, para reduzir o custo operacional, tenho a combinação perfeita para reduzir a taxa de juros.

Qual é a taxa de inadimplência?
No caso de quem dá o imóvel como garantia, a taxa de inadimplência está abaixo de 2%. Já no caso dos que dão o veículo como garantia, a taxa de inadimplência é de 3,8%. Para efeito de comparação, nos casos do empréstimo pessoal ou do cartão de crédito, que é o que refinanciamos, as taxas de inadimplência são superiores a 20%.

Como a empresa consegue captar esse dinheiro que empresta?
Um é o nosso capital e o segundo é dinheiro para investir nos créditos. Até hoje, captamos R$ 90 milhões de fundos de capital de risco (venture capital) e de instituições como o Banco Mundial. O segundo é captação para os nossos créditos. Buscamos investidores institucionais que capitalizam esses fundos e usamos esse dinheiro para comprar os direitos de crédito relacionados com os recebíveis de nossos clientes.

Qual é o retorno desses fundos?
Eles estão divididos em tranches, pedaços do fundo. Hoje, temos a tranche sênior, a mais segura, que paga CDI+3,65%. A tranche mezzanina, que é um pouco mais arriscada, garante retorno de CDI+5,50%. E, finalmente, está a tranche subordinada, que é impactada pela inadimplência, com retorno variável em função do comportamento da carteira.

Quais seriam esses investidores?
Family offices, fundos de pensão e seguradoras. São investidores que buscam investimentos de longo prazo com rendimentos acima do CDI com riscos limitados. Já captamos R$ 100 milhões e estamos captando mais.

A meta é captar quanto?
A meta é não ter meta, sempre crescer. Mas, nos próximos dois anos, pretendemos chegar a R$ 2 bilhões.

(Nota publicada na Edição 1031 da Revista Dinheiro, com colaboração: Hugo Cilo e Márcio Kroehn)

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