Economia

Grécia espera nova parcela de ajuda internacional, após aprovar medidas de austeridade

Grécia espera nova parcela de ajuda internacional, após aprovar medidas de austeridade

(Arquivo) Sessão do parlamento grego em Atenas - AFP/Arquivos

O governo de Alexis Tsipras espera que os credores da Grécia desbloqueiem outra parcela do empréstimo acordado ao país e abram a possibilidade de aliviar a dívida grega, depois da aprovação pelo Parlamento de novas medidas de austeridade.

“A bola está no campo dos credores, agora cabe a eles respeitar seus compromissos como nós fizemos”, declarou nesta sexta-feira o primeiro-ministro Tsipras, após a votação no Parlamento de medidas de cortes das aposentadorias e aumento dos impostos por um total de 4,9 bilhões de euros.

“Nós esperamos e nós merecemos uma decisão na segunda-feira durante o Eurogrupo (reunião de ministros das Finanças da zona do euro) sobre o pagamento da dívida pública, que corresponde aos sacrifícios do povo grego”, disse ele a repórteres.

O governo grego acusa a Alemanha pelo atraso nas negociações sobre alívio da dívida grega, uma questão que Berlim não tem nenhuma intenção de tratar a poucos meses das eleições legislativas no país.

As novas medidas exigidas pelos credores da Grécia – União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) – só foram aprovadas pela coalizão governamental formanda pelo Syriza, o partido de esquerda radical de Tsipras, e a formação nacionalista Anel.

Entre os 281 deputados presentes no Parlamento, 128 votaram contra.

Dois artículos destinados a mitigar parcialmente essas medidas, a supressão dos benefícios fiscais dos deputados e a redução do IVA para a compra de equipamentos agrícolas, tiveram o apoio de uma grande maioria dos deputados, desde o partido de direita Nova Democracia aos comunistas do KKE.

Horas antes da aprovação da lei e enquanto Tsipras pedia aos deputados para que votassem a favor, incidentes eclodiram em frente ao Parlamento.

À margem de uma manifestação convocada pelos sindicatos, um grupo de jovens jogou coquetéis Molotov contra a polícia de choque, que respondeu usando gás lacrimogêneo.

– Acordo ‘global’ –

Os novos cortes e aumentos de impostos serão aplicados nos anos seguintes ao atual plano internacional de ajuda (2015-2018), ou seja, entre 2019 e 2021, no marco do orçamento a médio prazo debatido no Parlamento na segunda-feira.

A lei também inclui outras medidas de compensação, como ajudas ao pagamento do aluguel e para compra de medicamentos pelos mais pobres.

Os credores da Grécia exigiam tais medidas para desbloquear uma parcela de 7 bilhões de euros de empréstimo, que servirão principalmente para reembolsar 4 bilhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE) em 20 de julho e 2 bilhões a investidores privados.

Atenas espera agora que a UE e o FMI concordem com medidas para facilitar o pagamento de sua enorme dívida pública, que atinge 179% do PIB.

“Depois de sete anos de crise, esperamos ter um acordo global [com os credores] que inclua medidas de alívio da dívida”, afirmou Tsipras perante a Assembleia.

O primeiro-ministro reconheceu que as novas medidas são “difíceis”, mas afirmou que espera que contribuam “para a estabilidade e a recuperação do país”.

De acordo com o roteiro do governo, na sequência do acordo com os credores, a Grécia poderia beneficiar do programa de compras de ativos do BCE e voltar aos mercados de títulos para financiamento.

A Grécia, que mantém uma política de austeridade imposta pelos credores desde 2010, não consegue sair da recessão. O PIB contraiu 0,5% no primeiro trimestre depois de registrar um crescimento zero em 2016.