Finanças

O gestor de fundos que elegeu Trump

O bilionário americano Robert Mercer é o poder por trás do trono nos Estados Unidos. Entenda o porquê

Crédito: Oliver Contreras/For The Washington Post via Getty Images

Mercer, o cientista da computação de ideias conservadoras: linha direta com a Casa Branca (Crédito: Oliver Contreras/For The Washington Post via Getty Images)

No início de 2016, a candidatura de Donald Trump parecia apenas mais um dos muitos factóides políticos. Ele concorria com outros oito candidatos republicanos e, mesmo que ganhasse a convenção do partido – o que parecia improvável – teria de enfrentar um candidato democrata turbinado pela popularidade do presidente Barack Obama. Porém, a razão de sua vitória, que surpreendeu até mesmo experientes analistas políticos americanos, tem nome e sobrenome. É o pouco conhecido Robert Mercer, principal executivo do Renaissance Fund.

Aos 70 anos, Mercer, formado em ciências da computação, começou a vida trabalhando na IBM. Ele desenvolvia programas de tradução quando teve a famosa ideia genial. Em vez de tentar ensinar gramática ao computador, ele criou um algoritmo que identificava padrões e os usava para traduzir. No início dos anos 1990, um amigo o convidou para replicar o processo com cotações do mercado financeiro, tentando antecipar mudanças de preço. Foi o ponto de partida para a gestão de carteiras por computador. Atualmente, a Renaissance emprega cerca de 300 PhDs. e administra US$ 26 bilhões. Seu fundo de hedge Medallion ganha mais de 50% ao ano em média e é o mais rentável dos Estados Unidos.

Não adianta telefonar: é exclusivo dos funcionários da gestora. Após tornar-se bilionário, Mercer afastou-se do mercado financeiro e passou a apostar na política. Extremamente conservador, ele não apenas fez doações de US$ 22 milhões para candidatos republicanos, como também investiu US$ 10 milhões no site de ultradireita Breitbart News, de modo a oferecer uma contrapartida para a imprensa mais à esquerda. Mais do que isso, ainda em 2010, Mercer contratou um desconhecido analista político, hoje facilmente visível nas fotos, ao lado de Trump: Steve Bannon. Em 2016, Mercer indicou Bannon para traçar a estratégia de campanha do então candidato do partido Republicano.

A atuação de Mercer, que não concede entrevistas, levantou uma enorme preocupação junto aos analistas políticos americanos, e lança luz sobre a importância do financiamento de campanha – tanto lá quanto aqui. Eleições são, cada vez mais, fenômenos de mídia. O candidato pode até ter suas ideias e convicções, mas tem de modular o discurso e o tom de acordo com as preferências do eleitorado. Nesse cenário, ter muito dinheiro à disposição faz toda a diferença, pois permite contratar os melhores estrategistas, manipular as notícias e as redes sociais e atuar diretamente nos algoritmos dos mecanismos de busca. Mercer, que começou a olhar para a política em 2008 e a recrutar especialistas no ano seguinte, resolveu apostar o peso de sua fortuna em Trump. O resto, como dizem os especialistas, é história.