Edição nº 1019 19.05 Ver ediçõs anteriores

O ataque político à previdência

O ataque político à previdência

Não é por falta de entusiasmo do mercado que o Brasil não decola e segue em frente. A julgar pelos novos sinais e apostas dados na semana passada, a temporada de boas novas está apenas começando. Surpreendendo até as expectativas oficiais, já que quase todo mundo no governo esperava demora na virada de humor das agências de classificação de risco, a Moody’s melhorou a perspectiva de crédito do País, elevando-a do patamar de negativa para estável. Foi a primeira revisão para cima desde que o Brasil perdeu o grau de investimento. E isso aconteceu em virtude da arrumação no cenário fiscal, da queda na inflação e dos sinais de retomada, em um ambiente monetário mais equilibrado e responsável.

Gestão é a palavra de ordem que está fazendo a diferença após anos de desastre da administração petista. A comprar a ideia de que internamente se vive uma fase mais promissora estão os investidores internacionais. São eles que vêm, fundamentalmente, turbinando os resultados da bolsa de valores com índices recordes, um após o outro. A entrada forte de capitais ficou ainda mais evidente no leilão de aeroportos – quatro no total – realizado na semana passada. Era o primeiro teste de concessões após os seguidos fracassos protagonizados na administração Dilma. Com oito propostas de três grupos estrangeiros em jogo, o governo conseguiu arrecadar quase R$ 4 bilhões.

Após anos vivenciando a mais dramática recessão da história, a tacada foi vista como o pontapé inicial para a mudança de rumo da economia. A partir do leilão bem-sucedido estão dadas as condições para um plano de concessões em larga escala, incluindo portos, rodovias e grandes projetos de infraestrutura que seguem vagando em banho-maria na esfera estatal. A meta de gradativamente apagar a imagem de um Estado controlador e ineficiente sinaliza ao mundo uma nova etapa do desenvolvimento brasileiro. Analistas são unânimes em apontar que, com essa postura de repasse de empreendimentos – vitais, mas dispendiosos – à iniciativa privada, os investimentos serão destravados.

O Estado precisa ter cada vez mais um papel indutor e não controlador do desenvolvimento. Só assim vai promover a retomada econômica e a geração de empregos que o País tanto precisa. Neste pormenor, também foram registradas importantes conquistas: após 22 meses de retração de vagas, foram gerados quase 36 mil novos empregos com carteira assinada em fevereiro último. De uma forma ou de outra, as reformas, a disciplina orçamentária e a responsabilidade fiscal estão dando o tom de uma gestão responsável que deve levar todos de volta ao lucro.

(Nota publicada na Edição 1011 da revista Dinheiro)

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