O efeito Trump

Como o presidente eleito dos Estados Unidos tem conseguido constranger mundialmente empresas como Ford, GM e Toyota para tentar cumprir suas promessas de protecionismo e criação de empregos

06/01/2017 20:00

  • // Por: Márcio Kroehn

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O presidente mundial da Ford, Mark Fields, surpreendeu o setor automobilístico ao cancelar um investimento de US$ 1,6 bilhão na construção de uma nova fábrica, para veículos pequenos e populares, na cidade de San Luis Potosí, na região central do México. A unidade industrial entraria em operação em 2018 e deveria empregar 2,8 mil pessoas até 2020. A decisão da montadora americana foi creditada a uma espécie de efeito Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos.

“Não fizemos um acordo com Trump. Fizemos isso pelo nosso negócio. É um voto de confiança na economia dos EUA e em algumas das políticas de crescimento que Trump tem sugerido”, disse Fields, à rede americana CNN. “É por isso que estamos tomando a decisão de investir na nossa fábrica em Michigan.” Abandonar um projeto dessa importância não é uma decisão fortuita. O anúncio de Fields é mais amplo e indica o caminho que a montadora pensa em seguir no mercado automobilístico. Serão feitos investimentos de US$ 4,5 bilhões, nos próximos cinco anos, para desenvolver carros híbridos, elétricos e autônomos.

Até 2020, a Ford quer apresentar versões híbridas do Mustang e da pickup F-150, que terá uma função de gerar energia para auxiliar o agricultor no trabalho de campo, além de um SUV totalmente elétrico. Mas é inegável que a pressão do presidente eleito tem gerado efeito – e medo – nas empresas. Trump tem se especializado em constranger o setor privado pelo Twitter. Na rede social, ele tem feito política externa e de protecionismo, com ameaças. É difícil saber onde está o limite de Trump.

Sua preocupação é atender o eleitorado que vive no decadente cinturão da ferrugem, região nordeste e meio-oeste do país onde se concentravam as indústrias até meados dos anos 1990. Por isso, o setor automobilístico é seu principal alvo. Para a General Motors, Trump escreveu: “a GM está mandando o Chevrolet Cruze feito no México para as concessionárias americanas sem pagar impostos ao atravessarem a fronteira.

Fabriquem nos EUA ou paguem um imposto alto de importação”. A cobrança para a japonesa Toyota foi na mesma direção: “A Toyota diz que irá construir uma nova fábrica em Baja, no México, para montar Corollas para os EUA. Sem chance! Construa a fábrica aqui ou pague um alto imposto”. A Ford foi a primeira a ser atacada por Trump, ainda nas prévias do Partido Republicano. Com a revisão dos investimentos da empresa, ninguém duvida que o presidente eleito se considera vencedor.

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