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Pancada de dinheiro

Após pagar US$ 4 bilhões pelo UFC, maior torneio de artes marciais mistas do mundo, a WME-IMG encara seu maior desafio: renovar os lutadores e acelerar o plano de expansão

Pancada de dinheiro

Socos lucrativos: o UFC 200, que teve o americano Brock Lesnar (em destaque) como estrela, quebrou recordes de público e renda em Las Vegas (foto: Rey Del Rio/Getty Images/AFP)

No dia nove de julho, dois dias antes de ser anunciada a compra do UFC pela empresa americana WME-IMG, por US$ 4 bilhões, a maior organização de artes marciais do mundo promoveu, em Las Vegas, o evento número 200, o mais importante de sua existência. Apesar do recorde de público, de mais de 18 mil pessoas, e de renda, cerca de US$ 10,7 milhões, chamou atenção do mercado a idade dos lutadores. Os três atletas que receberam os maiores pagamentos são quarentões: o americano Brock Lesnar, 39, o brasileiro Anderson Silva e o neozelandês Mark Hunt, ambos com 42 anos.

Este, talvez, seja o maior desafio da WME-IMG, comandada pelos executivos Ari Emanuel e Patrick Whitesell, cujos negócios estão espalhados por diversos ramos de entretenimento, como semanas de moda, futebol americano e o agenciamento de celebridades, entre elas Oprah Winfrey e a cantora britânica Adele. A empresa precisará renovar o plantel para viabilizar a expansão.

Atualmente, a maior parte do faturamento da companhia, de US$ 600 milhões em 2015, vem da assinatura de pay-per-view de seus três maiores mercados: EUA, Brasil e Canadá. As lutas, no entanto, são transmitidas ao vivo em 62 países e assistidas por milhões de espectadores. Na Europa, o UFC vem crescendo pontualmente na carona dos títulos do irlandês Connor McGregor, uma recente revelação das lutas, e do britânico Michael Bisping.

Na Ásia, apesar da realização de alguns eventos, ainda patina. “A WME-IMG enxergou um potencial de elevar esses números, ainda mais porque os esportes populares já estão consolidados”, diz o consultor Amir Somoggi. “Por conta do show, a marca UFC é mais valiosa do que o próprio esporte.” Que o diga os irmãos Fertitta, que compraram o evento da família Gracie, em 2001, por US$ 2 milhões, e o venderam por 2 mil vezes mais. Nenhuma modalidade, porém, consegue sobreviver sem criar ídolos.