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Samsung bem na foto

A gigante sul-coreana aposta pesado na integração do papel com o digital. Saiba como o Brasil pode ajudar a empresa nessa jornada

Samsung bem na foto

O foco plano de David SW Song e da Samsung é alcançar uma receita de US$ 400 bilhões até 2020 (foto: LUISA SANTOSA)

Tevês, smartphones, tablets e afins. Seja qual for a categoria de eletrônicos, fatalmente a Samsung estará no topo das vendas ou entre os principais fabricantes. Criada em 1969, na Coreia do Sul, a companhia colocou o país asiático no mapa mundial de tecnologia, ao se consolidar como uma das marcas preferidas dos consumidores e como uma das líderes em inovações do setor. Depois de apurar uma receita de US$ 167 bilhões em 2015, a companhia quer ir mais longe. Até 2020, a meta é alcançar uma receita de US$ 400 bilhões.

O caminho para atingir esse patamar, no entanto, não está restrito às fronteiras digitais, nas quais a Samsung fez sua fama. A trilha também passará por uma vertente apontada por muitos como fadada à extinção, justamente sob os impactos da revolução tecnológica: o papel. Mais conhecida por sua atuação no mercado de consumo, a Samsung elegeu o mercado de impressão como uma das portas para impulsionar sua presença no segmento corporativo e tornar realidade seu salto ambicioso de faturamento.

“Estamos bem posicionados nos produtos de consumo. Mas esses mercados estão estagnados”, diz David SW Song, vice-presidente sênior global de vendas e marketing da divisão de soluções de impressão da Samsung. Apesar de ressaltar que a área de impressão ainda contribui muito pouco para o resultado da companhia, ele afirma que essa é uma das vias de maior potencial para os próximos anos. “Precisamos desenhar nossa segunda onda de crescimento.” A despeito da queda nas vendas de impressoras e do número de páginas impressas, a incorporação da oferta de softwares e de serviços nos últimos anos vem abrindo novas fontes de receitas no setor.

O leque inclui desde serviços mais básicos, como a reposição de toners e componentes, até contratos mais sofisticados, que incluem a gestão de todo o fluxo de documentos dos clientes, sejam eles impressos ou digitais. “Hoje, o mercado global de impressão movimenta em torno de US$ 120 bilhões”, diz Song. “E grande parte dessa receita está ligada aos clientes corporativos”. Na jornada da Samsung para capturar parte dessas cifras, o Brasil ganhou um papel estratégico. No início de 2015, a empresa comprou a Simpress, companhia local de serviços de impressão, eleita a Empresa do Ano no prêmio AS MELHORES DO MIDDLE MARKET.

Song ressalta que o conhecimento adquirido pela Simpress no setor e no mercado corporativo, bem como sua capilaridade foram alguns dos ativos que chamaram a atenção. A Simpress tem 1,7 mil clientes e 12 filiais, com 1,5 mil técnicos em todo o País. Com a aquisição, diz Song, a Samsung passou a ter presença direta nos clientes, o que permitiu conhecer mais de perto as principais demandas do mercado de impressão. “Estamos incorporando rapidamente essas necessidades e acelerando o desenvolvimento de inovações”, afirma.

“E não apenas para as ofertas no Brasil, mas para a nossa operação global.” No caminho inverso, o acordo também beneficiou a Simpress. A companhia tem agora livre acesso a outro fator essencial na estratégia da matriz sul-coreana: a integração da impressão em papel com todo o portfólio da Samsung, o que inclui frentes como smartphones, tablets e computação em nuvem. “Estamos combinando o melhor dos dois mundos”, diz Vittorio Danesi, CEO e fundador da Simpress. “Como uma companhia independente, não tínhamos recursos para alcançar esse estágio.”

Um dos exemplos dessa abordagem é a possibilidade de imprimir um documento a partir de qualquer dispositivo, mesmo remotamente. Analista da consultoria IDC, Diego Silva diz que a visão da Samsung, que também tem sido adotada, de diferentes maneiras, por outros fabricantes, dá novo fôlego a uma indústria que parecia desacreditada. “As empresas não vão deixar de usar o papel para digitalizar todos os seus processos”, diz. “Ao contrário. Elas vão buscar cada vez mais a convivência desses dois formatos. Esse é o futuro.”