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Mudança de planos

O publicitário Alexandre Gama se afasta da função de chefe de criação mundial da agência britânica BBH para se dedicar ao mercado brasileiro e a dois setores inéditos para ele: automóveis e música

Mudança de planos

Da pista ao estúdio: Gama (foto) se tornou sócio da montadora britânica BAC e do Violab (foto: Christian Castanho)

Um dos mais reconhecidos publicitários brasileiros, Alexandre Gama, fundador da Neogama, vendeu em 2012 o controle de sua agência para o grupo francês Publicis, que a integrou à sua rede de origem britânica BBH. Isso significou mais atribuições executivas ao publicitário carioca. Além de continuar à frente das operações da agência no Brasil, acumulou a função de chefe criativo global da BBH. Agora, Gama anunciou na quinta-feira 7 que, em 2016, deixará essa posição, a fim de dispor de tempo para se dedicar a projetos de empreendedorismo.

Além de se manter à frente da Neogama, num momento de dificuldades para o mercado publicitário nacional – às voltas com a revolução digital, a concorrência acirrada e a crise econômica –, o executivo pretende praticar mais a sua veia empresarial. “O período de transição com a integração da Neogama e da BBH à Publicis foi cumprido. Não quero mais viajar para lá e para cá, e ficar cuidando de funções burocráticas”, afirmou à DINHEIRO o publicitário. “Me convidaram para ser chairman global da rede, mas não aceitei pelas mesmas razões.

Não estou atrás de corte. Só de empreender.” Com a mudança, a Neogama também deixará de se alinhar dentro da rede BBH, apesar de permanecer parte do grupo Publicis. “Fico sempre impressionado com o talento sui generis do Alê, de ser ao mesmo tempo um grande criativo e um empreendedor”, disse Maurice Levy, CEO do Publicis, por meio de comunicado. A motivação para a decisão de Gama são duas novas tacadas fora do mercado publicitário – e até mesmo fora das fronteiras brasileiras, no caso de uma delas.

“A diversificação é necessária no momento”, diz. Tratam-se da entrada como sócio da montadora britânica BAC (Briggs Automotive Company) e da criação de um projeto para o desenvolvimento da tradição do violão no Brasil, o Violab. Em comum, as empreitadas se relacionam a duas paixões do empresário, a velocidade e a música. A sua entrada na BAC aconteceu quando resolveu comprar um carro da fabricante, em 2014, e, em meio às conversas com os irmãos Briggs, fundadores da empresa, recebeu o convite para adquirir 15% das ações, fazer parte do conselho de administração e liderar os esforços de comunicação.

“Afinal, já trabalhei construindo marca para cinco montadoras”, diz. A companhia, inaugurada em 2009, em Liverpool, tem ganhado reconhecimento por fabricar o modelo Mono, similar aos bólidos de corrida, feito sob medida para o dono, sem espaço para passageiros, mas com a capacidade de circular nas ruas das cidades. A empresa foi selecionada, em dezembro, pelo jornal inglês The Sunday Times entre as 10 estrelas ascendentes do mundo corporativo britânico.

Os automóveis da BAC custam entre 110 mil e 130 mil libras esterlinas. “É o segundo carro para quem tem uma Ferrari ou um Porsche”, afirma Gama. No momento, a BAC tem capacidade para produzir entre 50 e 70 carros por ano. Mas, desde a sua entrada no mercado chinês, há uma pressão para o aumento da fabricação. Com uma cota de 20 carros para o país asiático, a empresa recebeu 15 pedidos já no dia do seu lançamento no mercado local.

Já o Violab será uma plataforma que inclui um portal na internet, um selo fonográfico e um programa de rádio (que estreia no início de 2016), além de ações sociais, como a criação de uma orquestra de violão em uma comunidade carente. A iniciativa reúne os mais proeminentes violonistas brasileiros, como Ulisses Rocha, Yamandu Costa, Fábio Zanon e os irmãos Sérgio e Odair Assad, entre outros. Ainda está no horizonte a aquisição de um estúdio de gravação e a organização de um festival, que deve acontecer já neste ano com nomes nacionais e internacionais.