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Não faltou educação

Em uma semana movimentada no setor, grupo americano DeVry adquire o Ibmec por R$ 699 milhões e rede de idiomas Wise-Up volta às mãos do fundador

Não faltou educação

Degas, da Devry Brasil: "Fomos agressivos, pois sabíamos que a marca era desejada" (foto: Fabio Rossi / Agencia O Globo e Divulgação)

O primeiro flerte foi há dez anos. A DeVry, empresa americana com foco em educação, planejava entrar no Brasil e via no Ibmec o alvo ideal. Dona de uma marca respeitada, com ensino de excelência e público de alto poder aquisitivo, a escola especializada em negócios seria uma bela porta de entrada. Na época, porém, a operação não foi possível e a DeVry acabaria estreando no mercado brasileiro em 2009, com a aquisição do Grupo Fanor, de Fortaleza.

De lá para cá a operação no País não parou de crescer, com aquisições no Norte e no Nordeste, além da Damásio, rede preparatória para o exame da OAB, com sede em São Paulo. Até que, este ano, o Ibmec voltou-se para o mercado, em busca de um comprador. Era a chance da DeVry – especialmente agora, com o câmbio favorável a aquisições de empresas brasileiras .“Sabíamos que a marca era desejada, por isso fomos agressivos, com uma proposta praticamente irrecusável”, diz Carlos Degas Filgueiras, diretor-executivo da DeVry Brasil.

De fato, os R$ 699 milhões pagos pelo Ibmec que inclui quatro unidades, no Rio de Janeiro, em Brasília e Belo Horizonte) está longe de ser uma pechincha. A oferta generosa reflete não apenas o apetite da DeVry no País, mas também o potencial de crescimento das escolas premium. No caso do Ibmec, apenas 11% da receita (que este ano deve fechar em R$ 235 milhões) está atrelada ao Fies, o programa de financiamento estudantil do governo. “O valor foi alto, mas trata-se, sem dúvida, de um negócio resiliente”, diz Bruno Giardino, analista do Santander.

Os planos da DeVry para o Ibmec começam a ser executados já no ano que vem, com uma oferta maior de cursos corporativos, sobretudo em São Paulo. Já a unidade física na capital paulista deve ser inaugurada em 2017. “Outro foco é o ensino a distância. Há um grande potencial no Brasil para cursos online de altíssima qualidade”, diz Degas. Além da transação entre a DeVry e o Ibmec, outro grande negócio no setor também chamou atenção na semana. Na terça-feira 16, a Somos Educação (antiga Abril Educação) anunciou a venda da rede de idiomas Wise-Up por R$ 398 milhões.

O comprador? O fundador, Flávio Augusto da Silva, o mesmo que há três anos vendeu a empresa por R$ 877 milhões. Mas, ao contrário do Ibmec, a Wise-Up encontra-se em uma situação delicada, com prejuízos acumulados e dezenas de unidades fechadas no ano. Um dos motivos, segundo comenta-se no mercado, teria sido um erro estratégico da Soma, que diversificou demais seus investimentos de forma pouco criteriosa. “O Flávio Augusto conhece a Wise-Up como ninguém. Pode ser que ele consiga recolocá-la no rumo”, diz o analista do Santander.