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Amos Genish é o empreendedor do ano nas telecomunicações em 2015

À frente da Telefônica Vivo, o executivo israelense está transformando a operadora em uma espécia de Amazon do setor de telefonia

Amos Genish é o empreendedor do ano nas telecomunicações em 2015

Genish tem dito a pessoas próximas que está voltando para casa ao assumir cargo na Vivendi

O israelense Amos Genish é dono de uma trajetória singular no mercado brasileiro. O ex-capitão do exército desembarcou no País em 1999. Como cartão de visitas, comprou uma licença de telefonia, pela bagatela de R$ 100 mil, e montou uma empresa-espelho para concorrer com a Brasil Telecom. Com sede em Curitiba, nascia a GVT. Nos anos seguintes, o empresário conduziu a pequena operadora a índices de rentabilidade invejáveis no setor. Tanto que, em 2007, a GVT abriu capital e conseguiu captar R$ 1,2 bilhão.

Dois anos depois, a operação foi comprada pela francesa Vivendi, por cerca de R$ 7 bilhões. Com um estilo único de gestão, Genish foi mantido à frente do negócio, em um feito raro no mercado, em que o comprado é quem fica para dar as cartas. Quando se pensava que um raio não cairia duas vezes no mesmo lugar, a situação se repetiu em 2014. Em uma transação de € 7,5 bilhões, a Telefônica Vivo arrebatou a GVT. Com o negócio concluído, Genish foi anunciado como novo presidente do grupo espanhol no Brasil no fim de maio deste ano.

A Telefônica não era a única opção na manga. Genish foi convidado por Vincent Bolloré, presidente do conselho da Vivendi, para assumir, em Paris, o comando de novos negócios do grupo francês. Seu nome também foi cogitado para substituir Zeinal Bava, na época CEO da Oi. O desafio de dirigir a maior operadora de telefonia do País, com receita líquida de R$ 35 bilhões, falou mais alto. “É difícil imaginar algum outro projeto mais complexo e interessante do que este em qualquer outro lugar”, diz Genish, escolhido o EMPREENDEDOR DO ANO NAS TELECOMUNICAÇÕES pela DINHEIRO.

“É um privilégio liderar a construção da nova Telefônica Vivo”, afirma. Em pouco mais de seis meses de gestão, Genish já começou a imprimir sua marca. Segundo o executivo, o período foi dedicado à integração da GVT e à consolidação de uma única cultura na operação. Para 2016, o plano é unificar também a marca e fortalecer a oferta de pacotes integrados, que reúnem banda larga, tevê por assinatura e telefonia fixa em âmbito nacional. A combinação desses serviços com a telefonia móvel é outro foco.

Ao lado da integração, o maior desafio de Genish é consolidar a Telefônica Vivo como uma empresa de serviços digitais. Ou como ele próprio define, em uma “Amazon” do setor de telefonia. Nessa direção, uma das estratégias é a oferta de cerca de 90 aplicativos. A ideia é aprimorar a experiência dos clientes. Lançado em novembro, o Vivo Easy é um exemplo dessa abordagem.

O aplicativo permite que o usuário contrate ou cancele qualquer serviço com a operadora sem a necessidade de interagir com um atendente no call center. Os resultados dessa estratégia começam a ser colhidos. No terceiro trimestre, a Telefônica Vivo apurou uma receita de R$ 452 milhões com seus serviços digitais, alta de 17,4% na comparação anual. “O setor de telefonia ainda trabalha com mais pessoas do que com interfaces digitais”, diz Genish. “Mas queremos mudar esse cenário nos próximos cinco anos.”

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Confira os demais empreendedores de 2015:

Jorge Paulo Lemann é o empreendedor do ano em 2015 

Joesley Batista é o empreendedor do ano na indústria em 2015

Luiz Carlos Trabuco Cappi é o empreendedor do ano nas finanças em 2015

David Neeleman é o empreendedor do ano nos serviços em 2015