O fotógrafo amador que ficou bilionário

30/05/2013

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O número de máquinas fotográficas digitais superou o de analógicas, em 2003, nos Estados Unidos. Mais do que uma mudança no mercado, para o empresário americano Jon Oringer, essa tendência representava uma oportunidade. Na época, ele estava envolvido com a criação de start-ups na área de internet. Uma de suas maiores dificuldades era encontrar imagens que pudessem ser utilizadas nos sites das empresas. Mesmo que a foto desejada estivesse disponível nas agências, geralmente havia muitas limitações para a utilização e o preço era proibitivo. Por causa disso, Oringer, fotógrafo nas horas vagas, decidiu pegar sua câmera Canon Digital Rebel, pela qual pagara US$ 800, e sair clicando a cidade de Nova York. 

 
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Foco regional: Oringer quer aumentar o conteúdo nos principais países
consumidores, como o Brasil; foto abaixo, o IPO da Shutterstock
 
Em seis meses, ele produziu por volta de 100 mil fotos. Apenas 30% desse material foi colocado em um site no qual, por meio de uma assinatura mensal, qualquer pessoa poderia baixar as imagens e usá-las livremente. Foi assim que, há dez anos, nasceu a Shutterstock, um dos maiores bancos de imagens do mundo, com mais de 18 milhões de fotografias, 40 mil fotógrafos, designers e ilustradores. ?Somos uma empresa coletiva, colaborativa, por isso crescemos tão rápido?, afirmou Oringer, em entrevista à DINHEIRO. ?Quanto mais imagens temos para oferecer, mais dinheiro ganhamos.? A aposta tem dado certo. Em outubro do ano passado, Oringer abriu o capital da Shutterstock na Bolsa de Nova York, captando US$ 76,5 milhões. 
 
As ações valorizaram-se 27% em seu primeiro dia de negociação. Hoje, elas valem por volta de US$ 50, um crescimento de mais de 100% desde o IPO. Com isso, o valor de mercado da companhia está em torno de US$ 1,5 bilhão. Oringer, no entanto, tem planos ainda mais ambiciosos para a companhia sediada em Nova York. Ele está lançando um novo banco de imagens batizado de Offset. A ideia é oferecer fotos de profissionais de renome. Trata-se de uma mudança no perfil da empresa, que sempre apostou nas fotos feitas por fotógrafos iniciantes ou mesmo amadores, que aceitam cobrar preços mais em conta por suas imagens ? as fotos mais baratas disponíveis no acervo da agência saem por apenas US$ 2. 
 
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?O Offset terá menor volume, mas era uma demanda de mercado?, diz Oringer. O modelo de usar apenas fotógrafos gabaritados é o mesmo adotado pela americana Getty Images, uma das maiores agências de fotos do mercado. ?As maiores agências estão entrando no segmento de fotos baratas, o que fez a Shutterstock reagir oferecendo serviços de maior valor agregado?, afirma Murilo Orefice, professor de criação da Universidade Anhembi Morumbi. ?O modelo colaborativo e de baixo custo foi muito bem-sucedido, mas é preciso diversificar para não acabar sendo engolido pela concorrência.? 
 
Além de sofisticar seus serviços, Oringer também pretende aumentar o número de profissionais que colaboram com a agência. Para isso, os planos são de regionalizar a atuação da companhia, que está presente em 150 países. A Shutterstock, que já oferece busca e atendimento em português, deve abrir um escritório no Brasil nos próximos meses. ?Hoje, temos centenas de colaboradores no País, mas queremos milhares?, diz o empresário. Qualquer pessoa com uma máquina ou celular pode fazer uma foto ou vídeo e vender através do banco de imagem. Há, porém, uma seleção rigorosa.
 
Apenas 20% das fotos, vetores e ilustrações que a Shutterstock recebe são aprovadas. ?As imagens que temos do Brasil geralmente se referem ao Rio de Janeiro e outros cartões-postais?, afirma Oringer. ?Precisamos de mais variedade.? Outra novidade que está sendo introduzida por Oringer é uma ferramenta de busca de imagens por cor, uma antiga demanda dos profissionais de design. Desenvolver novas ferramentas de busca, aliás, é um trabalho que Oringer gosta de fazer pessoalmente. ?É ótimo quando se trabalha com criatividade.Nunca fica chato?, afirma. Em um cenário no qual qualquer pessoa com um celular pode registrar sua vida em fotografias, usar a criatividade parece ser realmente um bom negócio. 
 
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