Perfume de mulher

21/12/2012

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Primeiro foi a venda do Banco PanAmericano para o BTG Pactual, em 2011, em meio a um escândalo financeiro. Em seguida, a empresa de soluções de pagamento eletrônico Braspag foi parar nas mãos da Cielo. Na sequência, a rede de lojas do Baú da Felicidade foi comprada pelo Magazine Luiza. Depois de todas essas transações, ocorridas ao longo daquele ano, como forma de recuperar o fôlego após a quebra do PanAmericano, tudo indicava que o Grupo Silvio Santos havia encerrado a temporada de venda de ativos. Não é bem assim. A diretoria da Jequiti, sua marca de cosméticos vendida no sistema porta a porta, vem conversando com possíveis parceiros. 

 
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Carmo Jr., presidente da Jequiti. Estratégia: Fabricação local de marcas globais ajudou
a reduzir preço para o consumidor
 
?Chega um momento na história da empresa em que ou ela insiste na briga desigual com as grandes ou se associa a uma concorrente para crescer,? diz Lázaro do Carmo Jr., presidente da Jequiti. ?Escolhemos a segunda opção.? O executivo explica que sua preferência é se unir a quem disponha de musculatura financeira e tecnologia capaz de fazer a Jequiti decolar, preparando-a para enfrentar a americana Avon e a brasileira Natura, líderes do mercado brasileiro. ?Queremos brigar com elas de igual para igual.? Hoje, isso não passa de um sonho. Enquanto o faturamento anual de cada uma delas ultrapassou o patamar de R$ 4 bilhões em 2011, a marca de cosméticos do apresentador possui receita equivalente a 10% desse valor. 
 
A busca desse parceiro foi confiada ao Banco Barclays, mas Carmo Jr. argumenta que nem todos os candidatos são bem-vindos. ?Dinheiro é apenas um ponto de vantagem,? diz o executivo. ?Mais que isso, preferimos alguém que tenha conhecimento da indústria de cosméticos.? De acordo com especialistas do setor, a Jequiti estaria avaliada em R$ 1 bilhão. Os potenciais compradores seriam as francesas Coty ? que fez uma oferta mundial pela Avon neste ano ? e L?Oréal, além da brasileira Hermes, especializada na venda por catálogo. Procuradas, as três empresas informaram que não comentam rumores de mercado. A Coty, por exemplo, é considerada forte favorita por especialistas consultados por DINHEIRO por já ser parceira da Jequiti. 
 
As duas se associaram para produzir localmente alguns perfumes da grife francesa vendidos pelo catálogo da brasileira. Um dos entraves para a evolução do negócio é a divergência quanto à fatia de capital que caberia ao sócio. O Grupo Silvio Santos oferece 49% ao novo investidor, enquanto a Coty desejaria pelo menos 51% do negócio ? ou seja, ficaria com o controle. De acordo com os especialistas, a associação a uma marca de prestígio, tradição no setor e fôlego financeiro ajudaria a Jequiti a se capitalizar. Com a venda do PanAmericano, a empresa perdeu uma de suas maiores fontes de financiamento. Simultaneamente às negociações, a Jequiti está ancorando sua estratégia em perfumes de celebridades nacionais e internacionais. 
 
Depois do sucesso da fragrância da apresentadora Adriane Galisteu, lançado em julho deste ano e que vendeu 200 mil unidades em dois meses, a Jequiti resolveu buscar nomes internacionais, apostando em produtos que já estão no mercado mundial, mas com preços que caibam no bolso dos brasileiros. No fim de novembro foi lançado um frasco da cantora Madonna, em parceria com a suíça Givaudan, ao preço de R$ 119. Em fevereiro de 2013 chega ao catálogo da empresa o perfume da cantora Beyoncé, por R$ 99. ?Eles estão sendo produzidos e envasados no Brasil?, diz Carmo Jr. ?Isso diminui muito o custo de perfumes, que eram importados e vendidos por R$ 300.? O foco, segundo o executivo, são as consumidoras da classe C, que buscam produtos mais sofisticados a preços acessíveis. 
 
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