O papel da Friboi

16/04/2010

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Os irmãos Batista, controladores do grupo JBS-Friboi, ficaram conhecidos no meio empresarial pela gestão extremamente agressiva de seus negócios. Determinados e com um faro apurado para detectar novas oportunidades, transformaram o modesto açougue fundado pelo pai, o velho Zé Mineiro, na maior empresa processadora de carnes do mundo, com faturamento próximo aos R$ 60 bilhões.

Agora, os Batista têm outro plano ousado em mente: também querem ser reis em papel e celulose. E, para tornar seu sonho realidade, o grupo se associou à MCL Empreendimentos, do empresário Mário Celso Lopes, um dos maiores negociadores de terras do País. Juntos, criaram a Eldorado Papel e Celulose. Faltavam as licenças ambientais para que seus planos saissem do papel. O sinal verde acaba de ser dado e a nova empresa nascerá como a terceira maior do setor no Brasil.
 

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Nova empreitada: José Batista Junior e seus sócios pretendem exportar 95% da produção

O projeto, tratado com sigilo absoluto, é visto pela JEF Holding, controladora da JBS-Friboi, como prioridade. DINHEIRO apurou que o investimento total dos sócios para a criação da Eldorado será de R$ 4,8 bilhões. Grande parte desse dinheiro será usada para erguer a fábrica, localizada em Três Lagoas (MS). Quando estiver pronta, em um prazo máximo de 30 meses, a planta deverá produzir cerca de 1,5 milhão de toneladas de pasta de celulose por ano, número que colocará a Eldorado entre as maiores produtoras do Brasil.

Hoje, o mercado é dominado pela Fibria, gigante global formada pela fusão da Aracruz e Votorantim Celulose e Papel, mas empresas tradicionais, como Suzano e Klabin, podem ter suas posições ameaçadas (veja quadro). No entanto, a alta competitividade do setor não é algo que preocupe. ?Não vemos qualquer tipo de concorrência.
 

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Processo Integrado: empresa pode utilizar madeira da Florestal, também do grupo JBS-Friboi, dona de 200 mil hectares de eucalipto
 

O mercado está crescendo e nós estamos chegando para complementar o fornecimento?, explica Carlos Rosa, diretor financeiro da Florestal Brasil, empresa de reflorestamento também ligada ao JBS-Friboi (com participação dos fundos de pensão Funcef e Petros), e um dos responsáveis pela estruturação da nova companhia.

A Florestal possui 200 mil hectares de terra e deverá ser uma das principais fornecedoras de matéria-prima para a Eldorado, que poderá consumir até metade de sua produção de eucaliptos. ?Mas venderemos a preço de mercado?, diz Rosa. Segundo especialistas, hoje existem poucos investimentos com tanto potencial quanto aqueles designados ao setor de papel e celulose.

Para se ter uma ideia, em 2008, a China consumiu 8% da produção mundial de celulose, volume que subiu para 25% no ano passado. ?Como ainda há uma tendência de forte crescimento de demanda, este mercado é muito atraente?, diz Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

Os acionistas da Eldorado como José Batista Junior, sabem disso e pretendem exportar 95% de sua produção. Mário Celso Lopes, sócio dos Batista na empreitada, deverá comandar a operação. O empresário, que  começou a carreira na carteira agrícola do Banco do Brasil, aproveitou as oportunidades na época da divisão do Estado de Mato Grosso para investir em terras e não parou mais. Cresceu comprando e vendendo fazendas e hoje é dono de uma fortuna estimada em US$ 500 milhões.

Além de mudar a rotina do empresário, a instalação da nova planta processadora também deve transformar a vida dos habitantes de Três Lagoas. A cidade, que já abriga uma das maiores fábricas da Fibria, deverá se tornar a capital brasileira da celulose. Além disso, as receitas obtidas através dos encargos pagos pela Eldorado, estimados em R$ 30 milhões mensais,
devem fazer com que o PIB da cidade cresça 200%.

 
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