Farejador de oportunidades

22/07/2009

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O triunfo do consultor Mesquita: "Investir em parceria com o dono da grife dá mais credibilidade ao projeto e ao criador da ideia"
 

Em outubro do ano passado, no meio do turbilhão financeiro, o investidor Antonio Mesquita Neto ganhou como pagamento de uma dívida o que popularmente chama-se ?elefantes branco?: uma fábrica de cosméticos com capacidade ociosa que atendia uma marca também inativa, a Empório Bothânico. Em poucos meses, Mesquita, um empresário que fez fortuna na área de tecnologia, transformou o limão em limonada. Relacionou algumas grifes conhecidas de roupas e desenvolveu linhas de cosméticos exclusivas para elas. A Mesquita Associados entregava tudo pronto, da identidade visual ao plano de negócios ? incluindo, é claro, a fabricação dos produtos, a cargo da Empório Bothânico. Além disso, ele participa com 50% do investimento. ? Esse é meu maior trunfo. Investir em parceria com o dono da grife dá mais credibilidade ao projeto e ao criador da ideia?, comenta.


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CREMES PARA ADOLESCENTES: Planet Girls espera faturar R$ 3,3 milhões até o final do ano com a venda de hidratantes da grife

O mais curioso é que todo o desenvolvimento foi feito sem que as empresas solicitassem. Elas só tomaram conhecimento quando Mesquita as procurou para apresentar o projeto. Duas toparam. Uma é a TNG. A outra, a Planet Girl, de roupas para adolescentes.
Legal. Mas como apresentar os projetos às donas das grifes sem parecer um intruso? Ora, passando horas em antessalas de executivos e insistindo sem parar para conseguir uma reunião. ?Quando consegui contato não desperdicei a chance. Reuni todas as informações de mercado e apresentei minhas ideias com a convicção de entender tanto do ramo quanto eles?, conta Mesquita.

 

Os perfumes da TNG, feitos pela Mesquita Associados, estarão nas 100 lojas da empresa em setembro

 

Foi assim que aconteceu na TNG. Mesquita irá criar e fabricar um perfume que será vendido, a partir de setembro, nas 100 lojas da empresa no País. A direção da grife afirma que estava à procura de um parceiro para retomar a oferta de perfumes. ?Precisávamos de alguém que tocasse o projeto conosco e foi quando o Mesquita apareceu?, lembra Tito Alcântara Bessa Júnior, diretor da grife. No ano passado, a TNG iniciou as vendas de uma edição limitada de 15 mil unidades. O estoque se esgotou em três meses, mas o projeto não foi adiante. ?A produção era terceirizada, mas não tínhamos um estudo profundo de mercado, como o apresentado agora pela Mesquita?, diz Bessa.

Os perfumes masculino e feminino serão os primeiros de uma série de cosméticos que a marca quer lançar até o final deste ano, em parceria com a Mesquita. Os planos incluem ainda outros produtos, como sabonetes líquidos e hidratantes. Todos com preços competitivos para concorrer com nomes tradicionais do segmento, como Boticário e Natura. ?Lá fora, é muito comum grifes de moda terem linhas de cosméticos. Queremos trazer essa tendência para cá?, diz Bessa.
Também disposta a aliar a marca de roupas a cosméticos, a Planet Girls venderá a partir de agosto a primeira série de hidratantes corporais para o público jovem. Composta de seis produtos, todos com frascos de cores vivas e aromas adocicados, a linha será produzida na fábrica de Mesquita. Para criar, produzir e divulgar a novidade, o consultor e a direção da Planet desembolsaram R$ 1,3 milhão. ?Estamos empolgados com o projeto e até abrimos uma empresa de distribuição para garantir a capilaridade das entregas?, afirma Adriana Restum, dona da grife de roupas. Os cremes estarão disponíveis nos mil pontos de vendas da empresa.

Adriana espera aumentar a atual receita da companhia em 20%. O primeiro lote de produtos Planet Girls será composto por 40 mil frascos. Só com a linha de hidratantes, a expectativa de faturamento até o final do ano é de R$ 3,3 milhões. Ideias como essa só puderam ser colocadas em prática graças ao dinheiro que Mesquita recebeu com a venda de uma empresa de informática, fundada em 1997. Com o lucro que obteve, passou sete anos apenas investindo em companhias de vários ramos de negócios. Algumas davam retorno, outras não. Uma das que fracassaram era a Empório Bothânico e, assim, os ativos da companhia caíram em seu colo. Isso abriu caminho para que o empresário lucrasse com seu elefante branco.

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