Como construir um prédio em seis meses

21/05/2008

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MINAS GERAIS JÁ FOI FAMOSA PELA QUANTIDADE DE contistas, poetas e romancistas. Nas últimas décadas, no entanto, o Estado também ganhou destaque no árido terreno da construção civil. Empresas como MRV e Tenda saíram das Alterosas para conquistar as demais regiões com processos construtivos enxutos, tendo como foco a classe média. Agora, é a vez de a Premo trilhar esse caminho. E seu cartão de visita é o condomínio Piemonte, situado em Belo Horizonte (MG). São 120 apartamentos, distribuídos em três torres, com área útil que varia de 80 a 110 metros quadrados. Outras 120 unidades serão concluídas em dezembro. Todas elas já foram comercializadas e renderam R$ 55 milhões. Seria mais uma entre tantas, não fosse um aspecto: entre o lançamento do empreendimento e a entrega das chaves se passaram apenas seis meses. Em média, um empreendimento desse tipo consome pelo menos um ano de trabalho. A rapidez é fruto do uso de uma técnica construtiva baseada no concreto pré-fabricado. O sistema parece revolucionário, mas não é novo. Com adeptos como o famoso arquiteto Le Corbusier, ele viabilizou a reconstrução da Europa, devastada durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa tecnologia de construção garante à Premo uma vantagem competitiva em relação à concorrência. Com ela, é possível reduzir à metade o tempo para erguer casas e apartamentos. Assim, o retorno do capital investido é mais rápido, além de permitir uma economia de pelo menos 5% em relação a uma obra convencional. ?O mercado está aquecido e as pessoas tendem a privilegiar empreendimentos que dêem uma resposta rápida ao seu anseio de conseguir a casa própria?, avalia Hélio Dourado, acionista e principal executivo da Premo Construções e Empreendimentos. ?Até porque ninguém sabe quanto tempo essa boa fase de crédito farto vai durar?, completa. Mercado, porém, não falta. O déficit habitacional no País atinge 7,9 milhões de moradias.

Mas se a tecnologia do pré-moldado é tão boa por que, então, ninguém se interessou em adotá-la em larga escala? ?Trata-se de uma questão cultural?, lamenta. Foi por isso que a Premo focou a classe média, contingente considerado formador de opinião. Apesar de ser montado como uma espécie de Lego gigante ? as placas medem 2,80 m X 3,50 m e pesam até 3,5 toneladas cada ?, o edifício é idêntico a uma construção de tijolo ou bloco-cimento. As placas são içadas por gruas e encaixadas nas demais. A ligação é feita por meio de ?soldas? em perfis de aço ou chumbo. As peças são produzidas em uma pequena ?indústria? montada ao lado do canteiro de obras. Dourado sustenta que a inovação faz parte do DNA da construtora fundada pelo pai dele, Renato do Vale, em 1959. Nos anos seguintes, seu foco foram shopping centers, galpões industriais e supermercados. Só agora a Premo arrisca sua primeira experiência na área residencial. Depois do Piemonte, a empresa já acertou a construção de outro condomínio de 300 apartamentos em Goiânia (GO), em parceria com um investidor local. Esses empreendimentos são os pilares do plano de Dourado, que almeja elevar as receitas deste ano para R$ 120 milhões, 40% acima do obtido em 2007. Mas ele não pretende parar por aí. São Paulo, Estado que está puxando o novo ?boom? imobiliário, também está na lista. Há duas semanas, o dirigente da Premo esteve na cidade conversando com donos de terrenos e investidores.

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