A Vila Olímpia renasce

25/05/2005

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A paisagem de São Paulo só tem uma característica permanente, a constante mutação. Nenhuma região na cidade representa tão bem esse traço quanto a Vila Olímpia, bairro da zonal sul cujas fronteiras são três das principais artérias de trânsito da cidade: as avenidas Faria Lima, Bandeirantes e Juscelino Kubistcheck. Em menos de dez anos, entre o início da década de 90 e o começo deste século, os galpões industriais e as pequenas casas habitadas por operários cederam lugar a um pólo de empresas de alta tecnologia e internet, o que valeu ao local o apelido de Vale do Silício brasileiro. Durou até que a bolha da internet explodisse e, com ele, ameaçasse o futuro do Vila.

Mas uma outra transformação está ocorrendo na região. Graças à inauguração de modernas torres comerciais, como o Continental Square, o Atrium VI e o E-Tower, a Vila Olímpia passou a atrair um outro tipo de inquilino para seus prédios. Grandes grupos nacionais e multinacionais, a exemplo de Motorola, CPFL, Comgas, entre outras estão de mudança para o local. Agências de publicidade como a Carrillo e consultorias como a Bain Co., também tomaram o rumo da Vila Olímpia. Uma tendência que deve se firmar com a inauguração da Daslu, o templo do consumo de luxo. ?Há uma mudança de perfil das empresas na região?, diz Débora Morilha, da Jones Lang Lasalle, uma das maiores administradoras de condomínios do mundo.

Levantamento da própria Jones Lang revela essa migração. De 2000 a 2004, a oferta de imóveis subiu 25%. Dos lançamentos, 30% encontram-se nas classes AA e A (alto padrão), numa região, até então, dominada por escritórios de classe B (até 250 metros quadrados). Mesmo com a abundância de inaugurações, apenas 20% dos espaços estão desocupados, nível considerado bom para uma região ?em fase de crescimento?, segundo especialistas. ?A absorção desses espaços é superior à média de mercado?, diz Débora.

O caso do Atrium VI, aberto no primeiro semestre de 2004, é exemplar. Somente em novembro, o primeiro condômino desembarcou por lá. Desde então, a taxa de ocupação bateu em 50%. Mais três estão prontos para mudar, o que elevará o índice para 70%. ?Até o final do ano, atingiremos 100%?, diz Carlos Nicolosi, gerente do empreendimento. ?Recebo quatro visitas de interessados por dia.? Outro empreendimento da região, o Continental Square também aproveitou os bons ventos. Formado por uma torre de escritórios, centro de convenções, hotel cinco estrelas e flat (ambos Caesar Park), o conjunto atingiu na semana passada um índice de ocupação de 90%, com a chegada a Comgas e confirmou a vocação de abrigar multinacionais. ?A presença dos hotéis ajuda muito?, diz Sérgio Maeda, gerente do Continental. ?Companhias estrangeiras gostam desse modelo.?

O maior atrativo da região, porém, é a proximidade dos dois mais modernos pólos de negócios da cidade: as avenidas Luiz Carlos Berrini e Faria Lima. A Vila Olímpia une uma à outra, com um custo menor. Os edifícios de alto padrão da Vila podem ser alugados por R$ 47 o metro quadrado, contra R$ 52 da Berrini e R$ 63 da Faria Lima. Quando a Batavo resolveu alugar uma escritório paulistano (sua sede é no Paraná), orçou uma despesa mensal R$ 6,5 mil. Encontrou o espaço na Vila Olímpia por R$ 5 mil. ?Era o que precisávamos gastando menos?, diz José Antônio Fay, presidente da Batavo.

R$ 47 é o valor do metro quadrado para locação na Vila Olímpia. Na Faria Lima, esse valor sobe para R$ 63

VAGAS
25% foi o aumento na oferta de imóveis na região

20% dos espaços estão desocupados, um bom nível, segundo especialistas

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