A insônia produtiva de Zangrandi

04/08/2004

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O empresário João Zangrandi sofre de insônia, assim como milhões de brasileiros. Mas João Zangrandi é o único brasileiro que acha isso ótimo. Foi nas noites em claro que ele bolou novos projetos industriais para se livrar de um grande fantasma do passado: a perda da representação do Vaporetto, aquele aparelho de limpeza a vapor que virou fenômeno de vendas no Brasil ? entre 1992 e 1997 Zangrandi comercializou 1 milhão de unidades no País. ?Durante cinco anos eu construi uma marca poderosa e transformei o Brasil no maior mercado do Vaporetto. Dali em diante, achava impossível repetir a dose com outra atividade?, conta o empresário. ?A insônia começou aí?. Mas a falta de sono, no caso do ex-vaporetto, foi totalmente produtiva. Nas madrugadas, andando de um lado para o outro, lendo ou pescando oportunidades de negócio no computador, ele definiu os novos flancos de atuação: uma fábrica de macarrão, importação de máquinas de café expresso e até produção de equipamentos para colheita de cana. Assim, Zangrandi remontou sua vida empresarial, com um grupo que fatura por baixo R$ 100 milhões. Ele se prepara agora para apresentar outra novidade: vai plantar café. ?Não tenho foco, mas tenho faro para boas oportunidades?, diz. Um faro que fica mais apurado lá pelas 3, 4 horas da manhã.

O caso da fábrica de macarrão é emblemático. O relógio marcava 3h15 de uma madrugada fria em 1998 e lá estava Zangrandi na cozinha preparando macarrão. Prato pronto, o cozinheiro não gostou do resultado: ?O problema era o produto. Não havia uma boa marca brasileira de macarrão premium, de grano duro. Aí eu resolvi criar uma?. Assim nasceu a Granzani, que produz em Araras (SP) os macarrões de ?marca própria? de redes como Wal-Mart e Pão de Açúcar, entre outras. ?Continuo produzindo para terceiros, mas também darei ênfase ao selo Granzani no varejo?, conta Zangrandi, que se prepara agora para lançar uma linha light.

Do macarrão, Zangrandi salta para o cafezinho. Há um ano e meio, ele fechou uma parceria com a italiana Saeco para trazer ao Brasil máquinas de café expresso. Os italianos assediaram Zangrandi durante dois anos, desde que ele perdeu a representação da Polti, dona do Vaporetto. ?Declinei durante todo esse tempo. Mas uma noite, me deu um estalo: ?por que não???, conta o empresário. A decisão parece ter sido correta. As vendas vão bem e ele já planeja, para 2005, faturar algo como R$ 50 milhões com a importação. A Saeco promete até erguer fábrica no Brasil se as previsões se confirmarem.

As relações de Zangrandi com os italianos, aliás, sempre foram boas e nos últimos meses o empresário visitou com freqüência a terra de Berlusconi. Não para falar de cafeteiras, mas sim de grãos de café. Vem aí uma nova parceria com uma empresa italiana ? que ele não revela o nome ? para plantar, moer e torrar cafés especiais para o segmento expresso. Os sócios já estão pesquisando terras no interior de São Paulo e fazendo alianças com produtores da América Central para preparar um ?blend? especial e oferecer um produto inédito. ?Os cafés utilizados nas máquinas de expresso são fornecidos em sachês ou grãos. Teremos algo totalmente diferente?, diz Zangrandi, fazendo mistério sobre o sistema. O investimento inicial para o novo projeto é de US$ 6 milhões e a plantação terá início em 2005. Dados do Sindicafé revelam que Zangrandi vai entrar numa arena complicada. A produção de café gourmet ? próprio para expressos ? cresce a taxas de 25% ao ano e conta com 700 produtores no Brasil. ?Mas ninguém terá nosso sistema?, diz Zangrandi. ?Não vou perder o sono por causa da concorrência?, brinca.

O ECLÉTICO


VAPORETTO

Entre 1992 e 1997, vendeu 1 milhão de Vaporettos no País. Chegou a faturar US$ 250 milhões por ano


MASSAS

Com um empréstimo do governo italiano, ele conseguiu montar, em 1998, a fábrica de macarrão Granzani


CAFÉ

Em 2002, fez parceria com a italiana Saeco para importar máquinas de café expresso

 

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