LIMPEZA NA BOMBRIL

05/10/2001

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Praticamente abandonada no altar pela americana Clorox, a fabricante de produtos de higiene e limpeza Bombril ainda não conseguiu se recuperar da decepção da aliança desfeita. Pouco mais de um mês depois da rejeição, a empresa brasileira, controlada pelo italiano Sérgio Cragnotti, tenta encontrar uma saída para a paralisia que tomou conta dos negócios, o sentimento de frustração geral entre executivos e a amarga sensação de falta de rumo. ?O dano causado foi muito grande?, desabafa o diretor de relações institucionais da Bombril, Mario de Fiori. Pela primeira vez, ele aceitou falar sobre os prejuízos gerados pelo cancelamento do contrato para venda por R$ 170 milhões de 50% da indústria nacional para a Clorox. ?A imagem ficou comprometida, os funcionários desestimulados, perdemos participação em alguns segmentos e as vendas caíram?, resume. No primeiro semestre deste ano, as receitas chegaram a R$ 219 milhões, contra R$ 250 milhões no mesmo período de 2000.

Para superar a crise, o executivo recorreu a Cragnotti. ?Ou assumimos o desafio ou estamos fora do jogo?, disse. Da Itália veio, no início de setembro, a resposta: ?Vamos comprar essa briga?. Junto à promessa, chegou a garantia do investidor de que desembolsará, até o final de 2002, volume maior do que habitualmente reserva ao Brasil. O valor é omitido, mas pelo número de lançamentos (19 novos itens), o italiano quer partir para a luta. Fiori não se recorda de nenhum grande produto apresentado ao mercado pela Bombril nos últimos dois anos. ?Os investimentos eram muito pequenos e, por isso, fizemos apenas mudanças em embalagens?, confessa Fiori, recusando-se a falar mais sobre a estréia da linha.

A Bombril já havia sido negociada, sem sucesso, com rivais como Reckitt, Henkel e Ceras Johnson. ?Mas o fracasso com a Clorox nos enfraqueceu bastante e deve dificultar, por algum tempo, a formação de novas parcerias?, admite. O medo de ficar vulnerável à concorrência se acentuou. De outubro do ano passado a agosto de 2001, cerca de 20 funcionários da Clorox ? entre gerentes, supervisores e diretores de áreas diversas ? se instalaram na sede da Bombril em São Bernardo do Campo, no Grande ABC (SP), espionando as informações técnicas, financeiras, jurídicas e industriais. ?Eles ficaram conhecendo tudo: a área financeira, as patentes, as licenças ambientais, o sistema de produção?, preocupa-se Fiori. O processo de associação ficou tão avançado que se criou um nova empresa, batizada com a razão jurídica Clorox Bombril Brasil S/A. Com o fim do negócio, foi um esforço em vão. ?Estamos estudando uma ação judicial contra a indústria pedindo o ressarcimento por perdas e danos?, antecipa Fiori.

Um dos fatores decisivos para o acordo não ter saído do papel foi o descumprimento de Cragnotti do compromisso firmado com a Clorox de resolver as irregularidades que persistem no controle da Bombril. Processo da Comissão de Valores Mobiliários impede a aquisição da participação dos acionistas minoritários (a administradora Dynamo, o fundo de pensão Previ e o BNDESpar). Até o final de outubro, um banco de investimento contratado pela Bombril deverá apresentar uma proposta aos minoritários. ?Só posso adiantar que ninguém sairá prejudicado?, garante Fiori.

SOCO NO ESTÔMAGO

DINHEIRO ? Que vantagens a Bombril ganharia com a associação com a Clorox?
FIORI ?
A briga com as gigantes do setor ficaria mais equilibrada se a Bombril tivesse o respaldo de uma multinacional.

DINHEIRO ? E a Clorox seria beneficiada?
FIORI ?
A Bombril é rentável, possui produtos conhecidos e a marca é sinônimo de
limpeza. Se a colocarmos na bandeja, sempre haverá interessados em adquiri-la.

DINHEIRO ? Por que enfim a Clorox decidiu anular o contrato?
FIORI ?
O mercado faz muitas perguntas sobre isso, mas não podemos responder a todas. A Clorox decidiu e só nos comunicou. Para a Bombril, foi um soco no estômago.

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