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Impulso para as Startups

Aceleram as captações de recursos por meio de financiamento coletivo privado, que pode gerar um mercado de R$ 1 bilhão em dez anos

Impulso para as Startups

Na balança: Frederico Rizzo (à esq.), da Broota, espera captar R$ 10 milhões em 2016; enquanto o americano Brian Begnoche, da EqSeed, prevê levantar R$ 5 milhões até 2017 (foto: Thiago Bernardes/FramePhoto

Está crescendo no Brasil uma estrutura para impulsionar startups que é tão importante quanto as próprias incubadoras de empresas: um ambiente que provê capital, o principal combustível para investimentos, e de forma pulverizada. As responsáveis por esse desenvolvimento são as empresas de equity crowdfunding, que nasceram na esteira do financiamento coletivo. No entanto, ao invés de captar recursos para o lançamento de um produto cultural como um livro ou um CD, reúnem investidores, com recursos a partir de R$ 1 mil, para financiar os projetos das companhias iniciantes. Esse setor, segundo estimativas do mercado, deve movimentar R$ 1 bilhão em dez anos. A EqSeed é uma dessas companhias. A empresa ajudou a capixaba Kokar, desenvolvedora de soluções de automação residencial, a obter R$ 300 mil em janeiro. Em julho, quem está captando por meio da plataforma é o Me Passa Aí, site que produz vídeoaulas, com 25 mil usuários cadastrados. A empresa quer captar R$ 250 mil e, até quinta-feira 21, já havia conseguido 70% do valor.

Segundo Brian Begnoche, diretor da EqSeed, a meta é realizar 12 captações até 2017, com valor de R$ 5 milhões. Para ele, a crise econômica dificulta o acesso das empresas ao capital, tornando o equity crowdfunding uma alternativa viável. E, do lado do investidor, que pode aplicar até 10% da sua carteira de investimentos diretamente em startups, é a oportunidade de diversificação de aplicações. “É um investimento de alto risco, mas com grande potencial de crescimento.” Ao fazer a aplicação, o investidor se torna credor da companhia, com um título que pode ser convertido em ações. “Muitos não investem apenas para ter retorno do seu capital”, diz Frederico Rizzo, fundador e presidente da Broota, um das primeiras companhias do setor, nascida em 2014. “Os investidores querem se conectar com empreendedores inovadores, para fazer do País um lugar melhor.”

No ano passado, a Broota conseguiu captar R$ 5 milhões e espera dobrar de tamanho até o fim de 2016. Nos últimos quatro meses, nada menos do que sete startups captaram pela plataforma, somando investimentos em 31 companhias nos últimos dois anos. Nesse tipo de captação, cada empresa pode levantar no máximo R$ 2,4 milhões a cada 12 meses, de acordo com a Instrução 400, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que dispensa de registro a oferta pública de distribuição de valores mobiliários emitidos por microempresas e empresas de pequeno porte. No segundo semestre, a CVM realizará audiências públicas em busca de aprimorar a fiscalização dessa modalidade.

Com a pulverização das aplicações, além de o investidor reduzir sua exposição ao risco, ele colabora no processo de tomada de decisões da empresa na qual investiu. Yuri Zaidan, diretor de operações do Aulalivre.net, empresa gaúcha que ministra aulas pela web, afirma que os 24 investidores que aplicaram R$ 230 mil no negócio, no ano passado, foram fundamentais para a expansão da companhia, que possui hoje 600 mil estudantes cadastrados. “Hoje em dia temos a oportunidade de contar com a experiência e conexões de investidores espalhados por São Paulo e Rio ”, diz.  “Investiram empresários, executivos, médicos e advogados, que hoje me ajudam a fechar parceria e dão solidez ao negócio”, diz Fernando Saddi, CEO da Easy Carros, que captou R$ 250 mil pela Broota. A empresa conecta donos de carro a profissionais de serviços automotivos. Já a Timokids, aplicativo de histórias e jogos educativos, encontrou na Broota uma forma de obter sua primeira captação, de R$ 200 mil, com a participação de 43 investidores. “Ultrapassamos 100 mil downloads orgânicos em mais de 190 países. Desde a captação crescemos 628%”, diz Fabiany Lima, CEO do Timokids.