Mercado Digital

A hora do médico hi-tech

De olho em um mercado de R$ 162 bilhões, surgem aplicativos que oferecem o serviço de consultas em casa e pretendem mudar o setor de medicina privada

A hora do médico hi-tech

Uber dos médicos: o Beep Saúde, de Vander Corteze, fez acordo com o Uber para levar médicos à casa de pacientes (foto: Claudio Gatti)

Os planos de saúde perderam 1,4 milhão de segurados em um ano até maio. O resultado é atribuído à escalada do desemprego e à aceleração da inflação. Em um momento de crise, no entanto, a tecnologia pode ajudar. Empreendedores lançaram neste ano aplicativos que levam médicos até a casa dos pacientes. O foco é o mercado de medicina privada, que faturou R$ 162 bilhões no País, em 2015. Essas empresas negociam parcerias com planos de saúde, que buscam reduzir custos para manter sua base de segurados. A cidade de São Paulo, que concentra cerca de 30% dos negócios do setor, está atraindo investimentos.

No início deste mês, dois aplicativos começaram a operar na cidade, cobrando de R$ 200 a R$ 400 por consulta: o Beep Saúde, do médico carioca Vander Corteze, que fez parceria com o Uber para transportar médicos até os clientes; e o Dokter, do cirurgião Marco Antônio Venturini, de Brasília. Além deles, estão no mercado o DocWay e o Dr. Vem. “Há espaço para todo mundo. Essas empresas vão ajudar a formar o mercado”, diz Daniel Lindenberg, co-fundador do Dr. Vem, criado em São Paulo em janeiro, após receber R$ 2 milhões de um fundo de investimento.

Até o fim do ano, o plano é atender Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, com meta de chegar em países da América Latina em 2017. Por meio do sistema, é possível escolher cinco especialistas. Em junho, foram realizadas 200 visitas e a meta é chegar a duas mil por mês até dezembro. O aplicativo, que fica com R$ 50 a cada consulta, negocia oferecer o serviço para operadoras de planos de saúde. Já o Beep Saúde, que opera desde abril no Rio de Janeiro, acaba de firmar parceria com um plano de saúde, mas Corteze prefere manter o nome em sigilo.

“O paciente nem vai precisar pedir reembolso da consulta agora”, diz o empreendedor, dono da empresa de medicina do trabalho BR Med, com faturamento anual de R$ 30 milhões. “Até quem não pode gastar muito pode usar.” O aplicativo faz 150 consultas por mês, com 20 especialistas, e cobra 15% a cada transação. Corteze espera levar o sistema para Porto Alegre e Belo Horizonte, realizando 5 mil consultas por mês. “A tecnologia vai baratear o custo”, diz Yussif Ali Mere Júnior, presidente da Federação dos Hospitais Estado de São Paulo (Fehoesp), para quem esses aplicativos são muito bem-vindos.