A estratégia da AMD para incomodar a Intel

21/06/2012

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Uma boa placa de vídeo no computador é requisito fundamental para rodar jogos avançados. Chamada de GPU na sigla em inglês, esse equipamento permite processar gráficos mais definidos e complexos em um chip separado, sem afetar o desempenho da CPU, o principal motor de um computador. Uma GPU parruda é o passaporte para matar dragões e zumbis dos jogos eletrônicos mais avançados de PCs.

A fabricante de processadores AMD acredita, no entanto, que usar um processador só para vídeo é pouco. Há um ano e meio, a empresa introduziu o conceito de APU, que une CPU e GPU no mesmo chip, economizando espaço e energia dos desktops e notebooks. Agora, a empresa lança a segunda geração de APUs, chamada de Série A, que vai também incrementar outras funções do computador. "Não vai haver mais aquela coisa de ligar o antivírus e sair para almoçar porque o computador não aguenta fazer mais nada. Agora a APU poderá acelerar tudo", afirma Ronaldo Miranda, vice-presidente da AMD para América Latina.

 

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Ronaldo Miranda, vice-presidente da AMD para América Latina, trabalhou 10 anos na Intel


Além do antivírus, outro exemplo dado por Miranda durante apresentação feita na quarta-feira (20), em São Paulo, foi a descompactação de arquivos, que passarão a usar o processador extra nos processadores dos "bastidores", o que, em tese, não comprometeria a desempenho da máquina.

Segundo Roberto Brandão, gerente de engenharia da AMD para América Latina, as APUs permitem que os notebooks tenham até 12 horas de autonomia para um notebook executando funções básicas do Windows. Em tarefas mais complexas, que exigem mais energia, esse número cai - é possível mais de três horas executando vídeos em qualidade Blu-Ray. ?A autonomia de um notebook não depende só do processador. Mas, com as novas APUs, daremos condições para os fabricantes chegarem até esse patamar?, disse Brandão.

Estratégia de negócios

As novas investidas da AMD se dão pouco mais de um ano depois de convocar o executivo Ronaldo Miranda, que estava na Samsung, para ocupar o posto de vice-presidente para a América Latina.  Miranda, 50 anos, tem em seu currículo uma passagem de dez anos pela Intel, maior concorrente da AMD. Em entrevista à DINHEIRO, Miranda disse que um dos fatores que o fizeram usar o crachá da AMD foi a filosofia da companhia. ?Não teremos o menor problema em tirar aqueles adesivos da carcaça do notebook dizendo que a máquina tem o nosso processador?, disse Miranda.

Ele lembra que nenhum outro componente básico de um computador pessoal é alvo de tanto alarde como os processadores. O vice-presidente vê isso como um vício. ?Ninguém compra um carro porque o pneu é da Pirelli ou da Goodyear. O consumidor quer que o pneu seja bom?.


Oposição

A ideia de Miranda vai de encontro ao posicionamento da Intel. A concorrente, por exemplo, chegou a impor uma série de normas para as fabricantes se adequarem ao conceito de ultrabook, patenteado por ela. O ultrabook foi a resposta da Intel aos tablets, que usam majoritariamente processadores com tecnologia ARM, dominado por empresas como Apple, Samsung, Nvidia, Qualcomm e Texas Instruments.

Miranda diz que tanto a AMD quanto Intel erraram ao não investir nessa tecnologia, responsável por um processamento tão rápido quanto o de chips de PCs, só que mais baratos e capazes de atender às exigências de smartphones e tablets. Porém, o executivo diz que não vai fazer como a concorrente, ou seja, criar exigências para os fabricantes se adequarem ao seu processador. ?Vamos dar todo o apoio para eles extraírem o melhor da nossa tecnologia. Não vamos restringir nada?.

Mercado

A estratégia de atuar mais nos bastidores vem dando resultado. No último ano, a AMD Brasil mais que dobrou sua participação de mercado no varejo. Citando dados da consultoria GFK de abril de 2012, a AMD diz ter 27% de participação na venda de notebooks, um crescimento de 145% em relação ao mesmo período do ano passado. O restante desse segmento é praticamente todo dominado pela Intel.

Para alcançar esse crescimento, a empresa privilegiou os computadores móveis na faixa de preço abaixo de R$ 1.299. Com a nova geração de APUs, a companhia  não abandona esse mercado - foram lançados quatro processadores, para atender diferentes faixas de exigência de performance e preço. O resultado ainda está longe dos quase 50% de participação de mercado que a AMD já chegou a obter em 2005, final da época de ouro dos desktops. Miranda diz que os computadores estão longe de morrer, mas devem mudar. ?O PC está com a mesma ideia há 40 anos. Já passou da hora de se reinventar?.
 

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