UM DIRIGÍVEL NA AMAZÔNIA

11/05/2001

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Não será um pássaro, nem um avião, tampouco um OVNI. O que os brasileiros verão nos céus em 2002 será o primeiro dirigível a ser usado no País para o transporte de cargas. Nada a ver com o antigo Zeppelin. Movido a gás hélio, não-inflamável, o balão será o primeiro teste da alemã CargoLifter fora da Europa. O projeto começou a ser discutido entre representantes do fabricante e os técnicos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) no fim do ano passado e o vôo experimental acontece até novembro de 2002. A principal vantagem em relação a meios de transporte como barco, caminhão e trem é a rapidez. No transporte convencional, o percurso entre Manaus e São Paulo leva de 10 a 12 dias. Com o balão, o mesmo trajeto é cumprido em 36 horas. Há ainda outras vantagens. ?Em Manaus, a logística é complicada e o dirigível pode resolver um gargalo que até então não se tinha idéia de como melhorar?, afirma Hernan Valenzuela, consultor da Suframa. Algumas empresas como a Petrobras, com quem a CargoLifter está negociando, têm extremas dificuldades no transporte de equipamentos pesados. Com o dirigível, não é preciso abrir estradas para chegar com caminhões a lugares de difícil acesso. Segundo Henrique Zuppardo, presidente da Megatranz, representante da empresa alemã no Brasil, a idéia é ter o País como uma base de apoio para o atendimento à América do Sul.

O primeiro modelo a chegar ao Brasil, o CL75, tem capacidade para transportar 75 toneladas. Já o CL160, em fase de construção e que só deverá estar pronto entre 2004 e 2005, pode carregar na sua gaiola até 160 toneladas, ou o equivalente a 35 contêineres. O custo de locação diária é de US$ 60 mil. ?Vale a pena quando o valor agregado da mercadoria é alto, quando o local é de difícil acesso, em situações em que é necessário reduzir o tempo de transporte e, principalmente, quando a carga tem peso ou tamanho muito grande?, explica o presidente da Megatranz. Nos casos em que a carga é algum tipo de commodity (caso da produção agrícola ou do aço), é preferível o sistema tradicional, como caminhão, por causa do baixo valor agregado. Até o lançamento do dirigível, a CargoLifter planeja investir mais de US$ 600 milhões.

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