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Empreste-lhe seu dinheiro. Ele paga bem

Títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto defendem rentabilidade em momento de queda dos juros. E a boa notícia é que está mais fácil investir neles

Empreste-lhe seu dinheiro. Ele paga bem

Michel Temer: ajuda dos pequenos investidores para rolar uma dívida de R$ 3 trilhões (foto: Correa)

Entre os problemas que diariamente aterrissam na mesa do presidente Michel Temer está o de conseguir rolar a dívida pública, que em novembro estava em R$ 3,09 trilhões. Os grandes emprestadores são os fundos de investimento, mas um crescente grupo de pessoas físicas está disposto a emprestar seu dinheiro a Temer, em busca de proteção contra a inflação e boa rentabilidade para seu dinheiro. Até novembro, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, havia 1,08 milhão de cadastrados no Tesouro Direto, sistema que negocia esses papéis.

É uma alta de 78,4% em 12 meses. Desses, 382,5 mil haviam investido, avanço de 73,4% em 12 meses. Não por acaso, o total investido nesses papéis necessários à rolagem da dívida pública cresceu respeitáveis 65%, de R$ 24 bilhões em 2015 para R$ 39,6 bilhões em novembro passado. Desde seu lançamento em 2002, o valor investido no Tesouro cresceu 62.000%, ou 58,9% ao ano. A vinda de novos participantes foi turbinada tanto pela alta da inflação, que elevou a demanda por proteção contra o dragão, quanto pelas campanhas de divulgação do Tesouro.

“Desde 2015, nos esforçamos em melhorar as informações oferecidas aos investidores”, diz Paulo Marques, gerente de relacionamento do Tesouro. Soma-se a isso a tendência de queda de juros, o que torna o investimento ainda mais atraente. O relatório Focus prevê que a taxa Selic encerre 2017, com juros de 10,25%, ante os atuais 13,75%. Além de oferecer informações mais detalhadas sobre os dez tipos de títulos oferecidos em seu site, o Tesouro lançou o Orientador Financeiro, uma ferramenta para ajudar o investidor a escolher o título mais adequado.

No começo de dezembro, o Tesouro lançou um aplicativo para smartphones. Apesar de disponível apenas para o sistema Android, foram 40 mil downloads em quatro semanas. Até o fim do primeiro semestre estarão na rede versões para iPhone e para tablets. O app visa explicar alguns dos detalhes menos conhecidos desses títulos, que oferecem uma certa volatilidade, provocada pela oscilação diária da taxa Selic, que afeta os preços dos papéis. O novo recurso também vai informar o que acontece se o investidor tiver de resgatar seu dinheiro antes do previsto.

Suponhamos um investidor que, na quinta-feira 5, aplicou R$ 1.000 em um título prefixado que renda 11,53% ao ano e vença em janeiro de 2027. Se esperar o vencimento, ele vai receber 10,15% líquidos, descontando imposto e corretagem. Se, porém precisar do dinheiro na metade do caminho, em janeiro de 2022, ele terá um retorno líquido um pouco menor, de 9,85% ao ano. Segundo Marques, o esforço incluiu três cursos online, cujas primeiras três mil vagas evaporaram em poucas horas.

Além disso, o Tesouro ampliou os horários de resgate e passou a oferecer os títulos fracionados, reduzindo a aplicação mínima para R$ 30. Os títulos indexados à inflação são os mais procurados, com 62,5% do estoque. Os preferidos são os Tesouro IPCA sem juros semestrais, com 48,3%. Já os indexados à Selic somam 19,9%, e os prefixados, 17,6%. Além dos esforços do Tesouro, distribuidoras também querem aumentar a popularidade dos títulos por meio da educação do investidor. É o caso da paulista Easynvest, que tem R$ 10 bilhões sob gestão.

Segundo o sócio Marcio Cardoso, a distribuidora atende 27% dos investidores cadastrados e intermediou 18% do total investido no programa. “Compramos R$ 40 milhões em títulos na quarta-feira 4”, diz ele. Sua estratégia para atrair recursos é, desde 2010, não cobrar taxa de administração. A Easynvest lançou seu aplicativo no início de 2015 e já contabiliza 240 mil downloads e 89 mil clientes ativos. “Os títulos do Tesouro Direto são um instrumento para atrair quem quer diversificar seus investimentos”, diz Cardoso.