Rota dos lucros

Analistas e gestores apontam ações com potencial de valorização no ano que vem. Entenda os motivos e faça suas apostas

02/12/2016 20:00

  • // Por: Flavia Galembeck

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Apesar da crise, a Bolsa brilhou em 2016. Até novembro, o Índice Bovespa subiu 42,6%. Bom para quem surfou nessa onda, mas um desafio para quem ainda busca lucros. Assim, analistas e gestores de fundos aprofundam suas análises em busca de papéis com potencial de alta no ano que vem. Dois elementos balizam essa escolha: a proteção cambial de empresas com receitas em moeda estrangeira, e a redução de encargos financeiros com a queda da Selic. A conta salgada dos juros afetou o lucro de muitas empresas nos últimos dois anos, devido aos custos elevados de serviço da dívida. Soma-se a isso o efeito perverso da alta do dólar.

Muitas grandes empresas captaram recursos no exterior nos últimos anos e, sofreram com as cotações superando R$ 4,00 no início de 2016. Agora, com o dólar apontando para baixo, a proteção cambial exerce um duplo efeito: turbinar as receitas e, de quebra, blindar o caixa. Na Springs Global, empresa formada a partir da fusão da Coteminas com a americana Springs Industry, por exemplo, a redução de um ponto percentual na taxa de juros Selic vai representar uma razoável folga no balanço.

Um levantamento da consultoria independente Eleven Financial mostra que a Springs encerrou o terceiro trimestre com R$ 600 milhões em dívidas corrigidas pelos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), taxa que segue a Selic de perto. A queda de um ponto percentual na taxa, prevista para o início do ano que vem, aliviaria em R$ 6 milhões o custo da dívida. Parece pouco, mas essa cifra representa 26% do lucro da Springs em 2015. “A redução do custo da dívida vai melhorar a percepção do risco da empresa, o que deve valorizar suas ações”, diz Giovanna Scottini, analista da Eleven.

O movimento dos shopping centers vem caindo, as construtoras vêm enfrentando um oceano de distratos e o setor automotivo desacelera. Mesmo assim, Luiz Alves Jr., gestor da GTI Administração de Recursos e um dos responsáveis pelo fundo Versa, um dos mais rentáveis do ano, indica empresas desses três setores: a administradora de shoppings BR Malls, a construtora Even e gestora de frotas Locamerica. O motivo é o mesmo, a melhora dos resultados com a baixa dos juros. No caso da Locamerica, a previsibilidade de receitas é mais um ponto a favor.

Para Fernando Góes, analista da Clear Corretora, os papéis de siderúrgicas como Gerdau, Usiminas e CSN tendem a se valorizar. O motivo é claro, fala inglês e ostenta um vistoso topete. O presidente eleito Donald Trump vem prometendo investimentos de US$ 1 trilhão na infraestrutura dos Estados Unidos e poderia acelerar os gastos militares. Tudo isso demanda aço. “Cerca de 30% das vendas da Gerdau são no mercado americano, e como a Usiminas fornece insumos para a Gerdau, ela pode pegar carona”, explica Góes. A Usiminas, é bom lembrar, vive há tempos uma guerra societária entre os controladores, o que prejudica suas perspectivas.

Já a CSN, que encerrou o terceiro trimestre com dívida de R$ 25,842 bilhões, se beneficiaria tanto do aumento de vendas quanto da redução da taxa de juros. Para Adeodato Netto, chefe de mercado de capitais da Eleven, as ações na bolsa com potencial de ganhos em curto prazo incluem a Sanepar, por conta de indicadores melhores de eficiência e de geração de caixa, além de boas margens operacionais. “A liquidez desses papéis deve aumentar com a venda de fatias de alguns dos atuais acionistas, como é o caso do Governo do Paraná.”

As recomendações da Eleven para quem tem um dose maior de tolerância ao risco são as ações da Triunfo Participações, que deve engordar o caixa com uma indenização referente a tarifas do aeroporto Viracopos, em Campinas (SP), e com a venda de ativos, como a participação de 50% na Tijoá, que opera a usina Três Irmãos, em São Paulo. Outra recomendação para o longo prazo são as construtoras, que tendem a se beneficiar com juros mais baixos. Entre elas, Góes, da Clear Corretora, aponta Elbor, Even e Eztec, pela solidez do negócio. Já Netto aposta na Anima, de educação, e no frigorífico Minerva.

Com o menor endividamento entre seus pares e a equalização de sua dívida com uma nova emissão de bônus neste ano, o Minerva pode ver suas receitas em moeda estrangeira aumentar. Ele adquiriu o Frisa Frigorífico Rio Doce, que tem plantas aptas a exportar para a China e os Estados Unidos. “Existe ainda a possibilidade de o Minerva receber uma oferta de compra em um futuro próximo, seja por um player local, como a BRF, ou por uma empresa internacional, o que poderia acelerar seu crescimento”, afirma Netto.

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