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Quer dar um tapa?

De olho na legalização de um mercado que poderá movimentar US$ 22 bilhões por ano em 2020 nos Estados Unidos, empreendedores lançam bolsas para negociar maconha

Quer dar um tapa?

O mercado foi agitado na quarta-feira 16. Afghan Kush subiu 1% para US$ 4,361 por onça (31 gramas), e Equity Haze recuou 0,7% para US$ 4,562 por onça. Esse foi o movimento das cotações na bolsa eletrônica americana Amercanex, abreviação de American Cannabis Exchange que, ao lado da Cannabis Commodity Exchange (CCX), negocia maconha.

Mesclar o universo das bolsas de valores com o da maconha só é possível à luz do processo crescente de legalização e descriminalização da erva nos Estados Unidos. Sua posse, cultivo e transporte passaram a ser consideradas crimes federais desde 1937, e a lei continua em vigor. No entanto, 23 Estados americanos hoje permitem seu uso para fins medicinais, como para combater a náusea provocada pela quimioterapia. Mais recentemente, quatro estados e o Distrito de Columbia, onde fica a capital, Washington, permitiram o uso recreativo. Na prática, nesses estados é perfeitamente legal usar, plantar e vender a erva e seus derivados. “Com o tempo, a maconha será mais uma commodity negociada em bolsa”, diz Richard Schaeffer, presidente do conselho da Amercanex. “É o embrião de uma nova bolsa de mercadorias de Nova York, a Nymex.”

Schaeffer fala com propriedade. Com mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro, ele presidiu o Conselho da Nymex entre 2006 e 2008. Como ele, os demais executivos são oriundos do mercado financeiro e vêem no mercado legal de cannabis, estimado em US$ 5,5 bilhões nos Estados Unidos em 2015, um potencial de crescimento significativo. Os negócios na bolsa ainda são pequenos, cerca de US$ 100 milhões por ano, mas as estimativas são de que maconha e seus derivados – sabonetes, óleos, medicamentos e alimentos – movimentem US$ 22 bilhões até 2020 (veja gráfico).

As bolsas negociam apenas o produto no mercado a vista, sem derivativos financeiros. Elas garantem a liquidação financeira das transações: o vendedor da maconha, negociada em onças, só vai receber seu dinheiro quando o comprador confirmar à bolsa que o produto foi entregue. As bolsas também recomendam sistemas de transporte regulamentados que cumprem a lei. Há alguns macetes. Comercializar dentro do Estado é legal, mas levar o produto de um estado para outro é crime.

No Brasil, comprar e vender maconha é crime sob qualquer aspecto, mas o investidor brasileiro pode testar o mercado americano sem riscos. Os advogados consultados por DINHEIRO – e que preferem falar protegidos por uma cortina de fumaça – avaliam que vale a regra para qualquer investimento em commodities. Se o dinheiro lá fora estiver declarado e se os impostos sobre eventuais lucros forem pagos, não há risco de alucinações com a Receita.