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Pequena com retorno de gigante

Como a gestora Iporanga fez sua carteira multimercado render quase 60% em 12 meses

Pequena com retorno de gigante

Rumo à casa dos bilhões:Da esq. para a dir., os sócios Felipe Lopes, Robinson Dantas, Guilherme Assis e Leo Kalim buscam o crescimento do fundo (foto: Foto: Divulgação)

No mercado financeiro, não é raro encontrar executivos bastante superticiosos. No quinto andar do edifîcio 160 da avenida Horácio Lafer, em São Paulo, o amuleto da sorte atende pelo nome de Dona Rita. Com cabelos grisalhos e óculos de grau, ela cuida dos sócios da gestora Iporanga Investimentos a quem chama de “meninos”. “Ela é o nosso pé de coelho”, brinca o sócio fundador Guilherme Assis. “Daqui a pouco, ele vai dizer que eu faço macumba para os investimentos darem certo, mas não faço, não, viu, moça?”, esclarece ela, enquanto serve café na sala de reuniões da empresa que, em tupi guarani, quer dizer “rio bonito”. Se não são as preces de Dona Rita, como explicar que o fundo multimercado macro Iporanga tenha rendido 59,83% em 12 meses, superando largamente a concorrência? “A nossa forma de investir e os controles de risco nos diferenciam”, diz Leo Kalim, outro sócio.

Com um patrimônio líquido de R$ 109,2 milhões, o alvo do único fundo da Iporanga fundo é render a taxa do CDI mais 5% ao ano, com uma volatilidade de 5% a 7%. Para isso, os gestores aplicam em moedas e juros, além de ter uma pequena exposição a ações de setores exportadores, como empresas de papel e celulose. Foi principalmente o investimento em dólar – não por meio de contratos futuros, mas sim de opções – que fez o fundo render 450% acima do CDI em 2015, o que chamou a atenção dos atuais 400 cotistas, entre family offices e pessoas físicas. Agora, o foco dos “meninos de Dona Rita” são as fundações.

A gestora Iporanga surgiu em 2014, mas sua história teve início em 2009, quando Assis voltou para São Paulo depois de passar três anos no Goldman Sachs, em Nova York. Ele se juntou a antigos colegas do Morgan Stanley para montar um fundo de arbitragem na capital paulista. Em 2012, foi a vez de Kalim deixar o banco e voltar para o Brasil. “Foi quando começamos a estruturar o multimercado macro.”

Depois de um retorno tão positivo em 2015, a estratégia neste ano será reduzir o risco com investimentos de curto prazo, de olho na preservação do patrimônio. “Já houve um ajuste no mercado e a piora do cenário está refletida nos preços”, diz Kalim. Os gestores, que apostam em uma Selic estável em 14,25%, pretendem agora engordar o patrimônio do fundo para algo entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões. “Temos capacidade para gerir o mesmo que gigantes.” Segundo o analista da Austin Rating Luis Santacreu, o cenário econômico instável pode favorecer investimentos mais voláteis, como o do fundo Iporanga.  “Mas o que vai balizar o retorno é o apetite por risco e se o gestor vai acertar a mão na hora de fazer as alocações.” Nesse sentido, nada como ter um amuleto como Dona Rita para ajudar.