Investidores

Eles querem o seu dinheiro

Dez financeiras e dois bancos de médio porte se unem para oferecer um investimento que pode pagar até 116% do CDI. Vale surfar a onda dos juros?

Eles querem o seu dinheiro

Vem com a gente: Érico Ferreira, da Omni/ Cláudio Ferro, do Poupa Brasil/ João Caritá, da Santana /Alvaro Augusto Vidigal, do Banco Paulista/ Wilmar Hammerschmitt, da Via Certa/ Elcio Azevedo, do Banco Semear/ Marciano Testa, da Agiplan/ Luís Eduardo da Costa Carvalho, da Lecca (foto: Claudio Gatti)

Em suas palestras, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto tem uma expressão muito curiosa para definir o quão atraente são os juros no País do ponto de vista dos rentistas: “O Brasil é o último peru com farofa na mesa dos investidores fora do Dia de Ação de Graças”. Delfim refere-se ao fato de que, há anos, o País lidera com folga o ranking internacional dos juros reais. O governo federal paga taxa de 7,4% ao ano contra apenas 2,9% da Rússia, a segunda colocada do levantamento feito pela Infinity Asset Management.

Com a inflação elevada, o mercado financeiro acredita que haverá pouco espaço para o Banco Central reduzir a Selic em 2016. Notícia ruim para a economia, mas boa para as aplicações conservadoras. Nesse contexto, os consultores financeiros são unânimes em recomendar cautela na Bolsa de Valores e foco nos papéis que pagam juros. É justamente no mercado de renda fixa que as oportunidades se multiplicam. De olho nos pequenos e médios investidores, que têm de R$ 1.000 a R$ 100 mil para aplicar, dez financeiras e dois bancos de médio porte se uniram e criaram o Poupa Brasil, uma plataforma de investimentos via internet.

São eles: Omni Financeira, Lecca Financeira, Portocred, Via Certa Financiadora, Agiplan Crédito e Investimento, Caruana Financeira, Dacasa Financeira, Estrela Mineira Crédito, Santana Financeira, Santinvest Crédito, Banco Paulista e Banco Semear. Se o valor a ser investido por uma pessoa superar os R$ 100 mil, a plataforma digital automaticamente reparte a quantia entre duas ou mais instituições. Como são doze instituições, cada pessoa física pode, no limite, investir R$ 1,2 milhão, sendo que a escolha da instituição é feita aleatoriamente pelo sistema. O Poupa Brasil não cobra taxa de administração e o contrato é feito com a financeira ou o banco via internet.

O objetivo do programa é oferecer produtos que tenha rentabilidade superior à da caderneta de poupança e do Tesouro Direto. “Nosso produto também supera o rendimento dos CDBs de grandes bancos”, afirma Cláudio Ferro, presidente do Poupa Brasil. “Quanto mais longo for o prazo, maior será o retorno.” Nesta primeira etapa, apenas um papel está sendo oferecido aos clientes. Trata-se do Recibo de Depósito Bancário (RDB), que é emitido pelas instituições financeiras associadas. O papel é pós-fixado em Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), cuja taxa é muito próxima da Selic definida pelo Banco Central.

Como as financeiras e os bancos têm o objetivo de captar recursos de longo prazo, que serão emprestados aos consumidores, o rendimento é propositalmente mais atraente nos prazos maiores. Varia de 105% do CDI para um prazo de 180 dias até 116% do CDI para uma aplicação de quatro anos. A alíquota do Imposto de Renda vai de 15% a 22,5% e incide somente sobre os rendimentos obtidos. “É uma plataforma que democratiza o acesso dos pequenos e médios investidores a taxas de juros que apenas os grandes aplicadores conseguem no mercado”, diz Érico Ferreira, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), sócia fundadora do projeto.

A expectativa do Poupa Brasil é captar R$ 100 milhões no primeiro ano. Na etapa inicial, há uma tendência de atração dos investidores que já conhecem as regras do mercado financeiro. “Porém, num segundo momento, queremos fisgar os poupadores da caderneta de poupança”, afirma Ferro. “Afinal de contas, é uma grande oportunidade também para a classe C.” Simulações feitas no site www.poupabrasil.com.br mostram que a poupança, embora esteja isenta do pagamento de Imposto de Renda, perde para qualquer investimento conservador.

Por exemplo: em uma aplicação de R$ 100 mil, a diferença entre o RDB e a caderneta, após quatro anos, é de pouco mais de R$ 45 mil. Para atrair poupadores com renda mais modesta, os especialistas sugerem uma ampla campanha nacional para explicar que a caderneta da poupança está perdendo para a inflação. De acordo com o professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho, a perda real da poupança em 2015 chega a 1,7%, levando-se em conta uma inflação de 10% e a remuneração de 8,14% da caderneta.

“A última vez que a poupança perdeu para a inflação foi em 2002”, diz Dutra. É importante no entanto, que os investidores conheçam os riscos do Poupa Brasil. Quem sacar o dinheiro antes do prazo final, terá uma remuneração de apenas 90% do CDI. Se alguma instituição tiver algum problema financeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assegura até R$ 250 mil por CPF. “Do mil ao milhão, o Poupa Brasil é a melhor opção”, afirma Ferreira, que também é presidente da Omni Financeira. Ele e outros onze empresários querem captar o seu dinheiro.