Carro novo: consórcio, leasing ou financiamento?

15/02/2011

Compartilhe:

Imprimir:

Os números comprovam: o brasileiro é mesmo apaixonado por carro. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2009), mostrou que quase metade da população brasileira possui carro ou moto. Entre janeiro e dezembro de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de veículos subiu 24,4%. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revelam que 3.638.390 veículos deixaram as fábricas no país no ano passado, 14,3% a mais que no ano anterior. Recorde absoluto para o setor.

Para atrair quem planeja comprar um carro novo, o mercado apresenta ofertas de todos os tipos, com entradas variáveis, prazos elásticos e inclusive oportunidade de fazer um consórcio. Então, qual a melhor forma de comprar um automóvel?

A resposta é fácil: à vista, claro. Além de não pagar juros e acumular dívidas, ainda dá para conseguir bons descontos. Mas a verdade é que, ao comprar o carro, a maioria absoluta das pessoas opta por algum tipo de venda a prazo. Segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), mais de 70% dos automóveis são vendidos dessa forma. Então fique atento às dicas abaixo para fazer um bom negócio na hora de adquirir seu próximo carro. 

_____________________________________________________________________________________________________________


O caminho das pedras

Juro é a palavra-chave na fora de comprar um carro a prazo. As prestações dos novos financiamentos de veículos vão ficar mais caras este ano. Além da alta dos juros, as medidas anunciadas pelo governo em dezembro para frear o crédito ao consumo vão ter reflexo no bolso do consumidor.

No geral, elas devem ficar entre 15% e 20% maiores, segundo o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Décio Carbonari de Almeida. ?Nos prazos, já houve redução em algumas linhas. Os planos máximos disponibilizados para os consumidores baixaram de 80 meses em dezembro de 2009 para 60 meses no final de 2010?, confirma.

Qual o seu objetivo?

A escolha entre as modalidades é mais difícil do que parece em um primeiro momento, pois envolve, além de uma análise detalhada dos custos, o seu planejamento individual.

Consórcio

O consórcio é um sistema de compra formado por grupos de pessoas e quotas que funciona como um financiamento convencional. É a opção mais barata dentre as três, já que não cobra juros. Entretanto, apresenta a incerteza de receber o carro em pouco tempo.

?No consórcio, o comprador tem de aguardar o sorteio do carro, que pode vir no primeiro mês ou no último?, explica o superintendente de varejo do Santander, Edson Franco. Se tiver pressa e algum dinheiro em caixa, o consorciado poderá participar dos lances, mas ainda assim corre o risco de ficar na espera por algum tempo. A modalidade é recomendada para quem não tem pressa.

Fazendo apenas a comparação financeira, o consórcio é mais barato. Mas há também outras vantagens. ?No consórcio quem desiste no meio do caminho recebe de volta tudo que pagou. Já para vender um carro novo a desvalorização começa em 15%?, explica o consultor de investimentos Ronaldo Veiga.

Leasing

Dentre as modalidades de venda a prazo, o leasing é a carteira que mais vem se destacando: pelo último levantamento da instituição, de novembro de 2007, a modalidade apresentou um crescimento de 83% em um ano. ?É a parcela mais barata entre as três opções?, afirma Veiga.

O motivo, segundo especialistas, é a não incidência de o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre esta operação, já que o leasing não é um financiamento, mas uma espécie de aluguel. São 3,5% de alíquota a menos no ano, fora a cobrança de 0,38%.

O leasing é a modalidade de compra mais comum em vários países. Mas no Brasil muitas pessoas têm suas reservas em relação a essa modalidade devido à desvalorização cambial ocorrida no final da década de 1990. Os especialistas garantem, no entanto, que esse risco não existe mais.

No caso do leasing, o proprietário de direito é o banco. Mas quem ?aluga? tem a opção de comprar o bem ao fim do contrato, e esse "aluguel" pode ser mais barato que os juros do financiamento em alguns casos, tornando o leasing uma opção mais interessante, embora com algumas restrições. ?Quem faz um leasing tem de ficar 'preso' até o fim do contrato. E antecipar parcelas não alivia os juros, como no caso do financiamento?, explica Veiga.

Financiamento

Fazendo uma avaliação nua e crua, a melhor opção seria financiar o veículo com uma entrada maior, de cerca de 50% do valor, por exemplo, conseguindo uma taxa de juros mais baixa e sem alongar muito o prazo, afirma Veiga.

A taxa média mensal cobrada nos financiamentos de veículos está em torno de 3%. Mas existem taxas menores que 1% ao mês nessas condições e assim dá para pagar um valor total na operação bem menor do que em parcelamentos de prazos muito dilatados. A porcentagem varia principalmente segundo o valor da entrada.

Nesses casos, a atratividade existe também em relação aos consórcios, porque não há variação das prestações e o comprador sai com o carro na mão. No entanto, é preciso ficar atento às taxas cobradas pelos bancos, tanto na abertura do crédito, como para a quitação antecipada, porque elas podem representar importante impacto nos juros efetivamente cobrados na operação.

Faça as contas

Em uma simulação de compra de um veículo popular, cujo valor em janeiro estava em R$ 32 mil, por meio de leasing custava 6,03% mais barato que financiar. Já quem optava pelo consórcio podia economizar 33,22% ante o financiamento.

Uma coisa é certa: os endividamentos de mais de 60 meses, não são recomendados. Além de comprometerem a renda por um período maior, significam que o comprador estará pagando ao final de seis ou sete anos, um carro que poderá ter sido relançado muitas vezes, dificultando a troca. Tal desvantagem desaparece no consórcio, que garante ao consumidor o recebimento do último modelo disponível.

Todos os mecanismos apresentam vantagens e desvantagens. Sabendo quais são, fica mais fácil decidir qual é a melhor opção para o seu caso, ou para o seu bolso.

Avalie esta notícia:  starstarstarstarstar

Compartilhe:

Imprimir:

Deixe um comentário

(O comentário não pode exceder 500 caracteres)

Leia também