BOLSAS DE MILHAS

14/01/2004

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Dólares, euros, libras ? e, agora, as
milhas aéreas. Elas se transformaram em valorizada moeda de troca. São considerados ricos, nesse ramo de investimento, os viajantes freqüentes, os clientes habituais de companhias de aviação, cartões de crédito e hotéis. O sucesso dos programas de fidelidade criou uma nova modalidade: as bolsas de transação com milhas, ancoradas na internet em sites como o www.points.com e o www.corpflyer.com, ambos dos Estados Unidos. É uma prática que cresce a céu de brigadeiro em todo o mundo. Como funciona? Suponha um viajante que tenha 70 mil milhas no programa Smiles, da Varig, membro da rede Star Alliance. É a quantidade suficiente para uma passagem do Brasil para a França, na baixa temporada, em classe econômica. Ele pode oferecê-las num site de troca ao preço de US$ 0,015 cada milha (valor médio no mercado internacional). Resultado: US$ 1.050, o equivalentes
a R$ 3.045. Quem estiver interessado
em comprá-las a esse preço, faz o pagamento para o dono das milhas,
que manda emitir o bilhete em
nome do comprador.

Vale a pena? Para quem tem milhas acumuladas e precisa do dinheiro na mão, com certeza. Para quem compra, nem sempre. Nesse exemplo, adquirir o bilhete no balcão sairia por quase o mesmo preço, a R$ 3.026, com a vantagem de que o comprador ganharia novas milhas. Pode virar bom negócio se a cotação do dólar cair, o que deixaria as milhas à venda mais baratas. Mas atenção: a transferência direta de milhas é proibida. A negociação só pode ser feita por meio da emissão do bilhete em nome de outra pessoa.

Estima-se que os clientes de programas de fidelidade recebam, anualmente, cerca de 650 bilhões de milhas e pontos, mas 75% desse total não são utilizados. O motivo é que muitos não conseguem driblar as restrições impostas ao uso do benefício, como a necessidade de consolidar as vantagens ganhas em uma única prestadora de serviço. Algumas empresas perceberam a dificuldade e estão criando alternativas para os passageiros. É o caso da americana Virgin Atlantic, que criou o programa FlyingCo. Nele, as milhas obtidas com a viagem de executivos de uma empresa são debitadas numa espécie de conta corrente única e depois podem ser utilizadas na obtenção de bilhetes para qualquer empregado. No site Corpflyer.com, há uma série de operadores, os chamados ?brokers?, que fazem a mediação do negócio. No site Points.com, as milhas podem ser trocadas por mercadorias nas principais redes varejistas dos EUA.

Sem restrições. Para que os cartões de fidelidade não deixem de ser atraentes, as companhias aéreas estão facilitando o uso do benefício. A brasileira TAM, que tem 2 milhões de clientes cadastrados, libera todos os assentos de um vôo para os viajantes com milhas ? diferentemente de outras companhias, que destinam um pequeno
lote para a turma da pontuação. A TAM também não impede que as milhas sejam usadas na alta temporada, quando chegam a corresponder a 7% dos bilhetes emitidos. Agora, a CVC, maior operadora de turismo no País, já permite que o benefício seja uti-
lizado em pacotes de viagem, o que garante uma redução de até
30% no preço da hospedagem.

Os clientes podem lucrar ainda com os acordos entre as companhias nacionais e estrangeiras. As milhas da Varig, por exemplo, podem ser usadas por estrangeiros para passagens em vôos da Lufthansa, da qual a Varig é parceira. No entanto, as milhas obtidas num vôo entre Paris e Frankfurt pela Lufthansa somente são aceitas pelo programa Smiles se o bilhete for comprado por intermédio da empresa nacional. As novidades no segmento estão começando, mas demonstram que as horas de vôo e as distâncias percorridas transformaram-se em commodities cobiçadas.

As dúvidas mais freqüentes
Dá para agrupar milhas de diferentes empresas para comprar um bilhete?
Sim, mas somente por meio de um programa consolidado, como o HHonors, dos hotéis Hilton. Nele, é possível converter milhas em pontos no programa e depois reconvertê-los novamente em milhas de outra companhia aérea. As conversões, no entanto, não costumam ser boa opção. No caso do programa HHonors, depois de completar a conversão, o viajante poderá perder entre 20% e 30% do total de milhas que ele tinha no início da transação.

No mercado internacional, é comum os viajantes negociarem suas milhas em sites de trocas. Qual a cotação média de uma milha?
Entre US$ 0,015 e US$ 0,020.

Muitas vezes, quando se tenta usar milhas para adquirir uma passagem, as companhias alegam que não há mais assentos disponíveis. Como driblar o empecilho?
Em geral, as companhias aéreas reservam entre 5% e 10% dos assentos de cada vôo para os programas de fidelidade. Para não encontrar vôos lotados, o ideal é agendar a viagem com antecedência. Os assentos costumam ser oferecidos para reservas cerca de 330 dias antes do vôo.

O que fazer com as milhas de uma companhia aérea em vias de concordata? Devo usá-las imediatamente?
Segundo representantes do mercado, as milhas ou pontos são considerados parte do passivo da companhia. Por isso, no caso de falência, a empresa terá de indenizar os beneficiários.

 

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