Finanças

A Caixa na fila do ajuste

Banco é lucrativo, mas governo quer reduzir funcionários e fechar agências para economizar até R$ 1,5 bilhão por ano

A Caixa na fila do ajuste

Agência lotada: banco dá lucro, mas governo quer mais (foto: Clemilson Campos)

Depois da Petrobras e do Banco do Brasil, chegou a vez de mais uma estatal federal enfrentar um regime drástico. Na quarta-feira 4, a Caixa Econômica Federal divulgou que solicitou autorização ao Ministério do Planejamento para realizar um Programa de Demissão Voluntária (PDV). Ao longo deste ano, o banco pretende reduzir 11% do quadro de funcionários, de 95,7 mil pessoas, com a saída de até 10 mil funcionários. Quer também fechar até 120 agências, ou 3,5% da rede.

O plano prevê acelerar a saída de cerca de 28 mil funcionários que têm sua aposentadoria prevista para os próximos cinco anos. Para estimular a adesão ao PDV, a Caixa poderá pagar até dez salários de compensação, além das verbas rescisórias. A meta é que, ao fim do processo, a economia com pessoal e redução da rede seja de R$ 1,5 bilhão por ano. No entanto, esse número só será visível a partir de 2018. Não é o primeiro corte no sistema financeiro federal.

Em novembro, Paulo Caffarelli, presidente do BB, anunciou um programa que planejava dispensar até 18 mil funcionários e poupar mais de R$ 3 bilhões por ano. Em dezembro, ao encerrar as inscrições, o BB contabilizava 9.400 pedidos de desligamento, que devem representar uma redução de R$ 2,3 bilhões nos gastos. O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, terá muito trabalho pela frente. O banco, como é de se esperar de uma estatal de capital fechado, gerencia programas sociais de interesse do governo, como o do crédito habitacional, e responde pelas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

Esses programas custam dinheiro e demandam uma estrutura pesada, o que reduz os resultados. Com a crise fiscal, o governo Temer quer lucros maiores. A Caixa alcançou ativos de R$ 1,2 trilhão e lucro de R$ 3,38 bilhões nos três primeiros trimestres de 2016. É um número impressionante, mas o menor dentre os cinco grandes bancos de varejo. “A Caixa tem um longo caminho de informatização pela frente”, avalia Sebastian Maus, sócio da consultoria Roland Berger.