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A vez do voo solo

O que era um sonho futurista nos filmes de Hollywood virou realidade e as mochilas voadoras começam a ser vendidas. Esse mercado vai decolar?

A vez do voo solo

Mobilidade aérea: aparelhos, como o da Jetpack Aviation, vão permitir voos em missões de resgate e para entretenimento

O momento mais marcante da cerimônia de abertura da Olimpíada de Los Angeles de 1984 aconteceu quando um homem levantou voo em pleno estádio Los Angeles Coliseum. Com um modelo de jetpack, uma espécie de mochila com turbina, ele subiu e pousou em segurança. Era uma prova de afirmação dos EUA como a superpotência que, nos estertores da Guerra Fria, vencia a disputa tecnológica com a União Soviética. Parecia que o sonho, acalentado em desenhos animados dos Jetsons e filmes do espião James Bond, de um meio de transporte que faria o homem voar pelas cidades estava próximo.

Oito Jogos Olímpicos depois, às vésperas da Rio 2016, e a humanidade está longe da realidade do uso dos jetpacks. Mas uma nova geração de aparelhos, com preços mais “acessíveis” e uma tecnologia mais aprimorada, capaz de atingir velocidade de 160 km/h e 3 mil metros de altura, está quase pronta para chegar ao mercado dentro dos próximos dois anos. É a garantia dada por companhias como a neozelandesa Martin Aircraft, a californiana Jetpack Aviation e a francesa Zapata Racing.

“Devemos entregar os primeiros aparelhos no fim deste ano”, disse à DINHEIRO Peter Coker, um ex-executivo da empresa de aviação Lockheed Martin, que assumiu a posição de CEO da Martin Aircraft em 2013. Com isso, a companhia neozelandesa, que tem ações cotadas na bolsa de valores da Austrália desde fevereiro de 2015, será a primeira companhia desse setor nascente a ter um produto no mercado. O preço da novidade, capaz de voar por 30 minutos, não está definido, mas deve ficar um pouco acima dos US$ 200 mil.

Os custos de produção dos aparelhos é um dos grandes motivos, ao lado das dificuldades técnicas para estabilizar as turbinas de voo, para o setor não ter decolado até agora. “No longo prazo, com o aumento da produção, vamos baixar os preços”, diz Coker. A companhia já tem cartas de intenção assinadas com clientes americanos, do Oriente Médio e chineses. Um acordo foi fechado com a chinesa KuangChi Science para investir em produção de massa. São diversas as aplicações imaginadas para o Martin Jetpack, o aparelho da empresa, que, mais do que um jetpack de filme, se parece com um mini-helicóptero ao qual o piloto se prende.

Bombeiros podem salvar pessoas do fogo, paramédicos fugir do trânsito e missões humanitárias levar alimentos a regiões devastadas, além de muitos usos militares. E milionários e celebridades podem usá-lo para entretenimento e práticas esportivas. Por exemplo, o astro do cinema Leonardo DiCaprio foi fotografado, em 2013, em Ibiza com um hoverboard voador, uma espécie de prancha com propulsão a água. O aparelho era um protótipo criado pela Zapata Racing, do campeão de jet ski Franky Zapata. Agora, a empresa prepara uma versão de jato movido a combustível.

“Espero criar um novo mercado”, diz Zapata. “No começo foi muito difícil, porque dependemos de diversos fornecedores para fazer o motor e outras peças, mas levaremos a Flyboard ao mercado em até dois anos.” A terceira grande pioneira da área, a Jetpack Aviation, pode ser a última a ter um produto no mercado. Mas é ela quem cria o dispositivo mais parecido com o dos filmes de Hollywood. O seu jetpack tem autonomia de voo de 10 minutos e é uma evolução do usado na Olimpíada de 1984. Afinal, entre os seus sócios está Nelson Tyler, o criador do histórico aparelho.