Turma da Mônica em mandarim

13/05/2009

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"A Turma da Mônica vai alcançar outro patamar. A China será um mercado maior do que o Brasil"
Mauricio de Sousa

 

MAURICIO DE SOUSA SE ajeita na cadeira do escritório que divide com Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, Horácio e companhia, e fixa o olhar no teto. Sua imaginação viaja para bem longe dali numa velocidade suficientemente rápida para fazer uma análise de toda a carreira antes de responder à pergunta do repórter, aflito para escutar suas conquistas nas últimas cinco décadas. Aos 73 anos, dos quais 50 anos dedicados às histórias em quadrinhos, ele volta à sala, abre um largo sorriso e, com um ar de criança, responde emendando uma outra pergunta. "Você não quer saber o que vou fazer nos próximos 50 anos?", brinca o gênio que criou a Turma da Mônica e faz parte da vida de milhões de brasileiros. No próximo dia 18 de julho, ele comemora meio século de nascimento do personagem Bidu, que impulsionou sua trajetória, e diz que ainda tem muito a fazer. Ter mais de um bilhão de revistas publicadas em 120 países, 12 longas-metragens da Turma da Mônica lançados ao passar dos anos, cerca de três mil produtos licenciados e a gigantesca engrenagem alimentada por suas criações que anualmente movimentam US$ 2 bilhões e empregam 30 mil pessoas direta e indiretamente é praticamente irrelevante para o desenhista. Ele quer mais, muito mais, e revela o número de projetos em andamento como se fosse uma metralhadora. "Teremos a TV Mônica no YouTube, vamos inaugurar sete novos Parques da Mônica, sendo quatro na Europa, um em Luanda e mais dois no Brasil, levaremos espetáculos teatrais com a Turma para todo o País, estamos produzindo um filme de animação digital do Horácio e entramos com força no setor educacional", diz.

 

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Este último, na visão de Sousa, é o projeto mais importante de todos. "É o meu grande sonho, levar a Turma da Mônica para as escolas", diz. Um sonho que se tornou realidade na China, por mais incrível que pareça. Em 2007, quando estava em uma feira de quadrinhos em Bologna, Itália, o desenhista foi procurado por representantes do governo chinês, que buscavam personagens para fazer parte da cartilha curricular das escolas de ensino básico. "Eles me disseram que escolheram a Turma da Mônica porque não tinha violência, era alegre e tinha valores como, por exemplo, respeito ao próximo e ao meio ambiente. O ministro chinês disse, inclusive, que os personagens eram chineses porque tinham o olho grande típico dos desenhos orientais", se diverte Sousa.

 

 

O projeto começou em novembro do ano passado e, neste ano, ganhará formas mais consistentes. "Vai abranger 180 milhões de crianças", explica o desenhista. Para não "queimarem uma floresta com a impressão de revistas", diz Sousa, todos os quadrinhos serão veiculados pela internet. Ao levar a Turma da Mônica para dentro das salas de aula chinesas, Mauricio de Sousa ganha credenciais para explorar um dos maiores mercados consumidores do mundo. Afinal, as crianças crescerão acompanhando a história de seus personagens. "Já estamos sendo representados pela Alice Tang, que é a maior especialista em licenciamentos na Ásia. Há interessados em fazer livro, desenhos para televisão e outros produtos", diz Sousa. "A China se tornará o nosso maior mercado no mundo e a Turma da Mônica alcançará outro patamar."

 

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No Brasil, a Turma da Mônica tem uma identificação muito forte com as crianças e seus pais. Justamente por isso, os negócios envolvendo os personagens são astronômicos. Mônica e companhia estão em todas - de molho de tomate a fralda, de maçã a chocolate, de brinquedo a produtos de beleza. "Os personagens têm valores de confiança, qualidade e simpatia", diz Eduardo Aron, diretor de cuidados pessoais da Kimberly-Clark, que possui uma extensa linha de produtos da Turma da Mônica. Só em fraldas, o carrochefe da empresa, a companhia possui 21,4% de participação de mercado em vendas. O executivo não abre os números, mas estima-se que sejam vendidos 150 milhões de fraldas da Turma da Mônica por mês. A marca é tão forte que a empresa lançou uma linha de xampu há apenas dois anos e já possui 10% do mercado brasileiro. "Essa é uma marca que se renova constantemente, passa de pai para filho", diz José Roberto Martins, diretor da consultoria GlobalBrands. Não à toa suas revistas dominam 86% do mercado nacional de quadrinhos. "No ano passado, a nossa tiragem superou a casa dos 23 milhões de exemplares", diz José Martins, presidente da Panini, editora italiana que possui os direitos de publicação da Turma da Mônica no Brasil. Esse sucesso foi conquistado com a ajuda da Turma da Mônica Jovem, revista lançada em agosto de 2008.

Para se ter uma ideia do que ela representa para os números da Panini, em sua primeira edição a Turma da Mônica Jovem bateu o recorde como uma das revistas em quadrinhos mais vendidas no século 21. Enquanto a revista Homem- Aranha, edição de número 583, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na capa, teve 350 mil unidades vendidas, a Turma da Mônica Jovem alcançou 405 mil exemplares. Além dos recordes, Obama e Sousa têm outro ponto em comum: "Uso a mesma arma que o Obama usou para ganhar as eleições", diz o desenhista, que dorme uma média de 5 horas por dia e é um workaholic assumido. "Tenho um Blackberry no qual aprovo todas as histórias em quadrinhos e consigo acompanhar os projetos em qualquer país do mundo. Nem lembro como fazia antes disso surgir", diz. Imagine o que dirá, então, nos próximos 50 anos.

 

 

 

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