Economia

“Altos executivos não acreditam que suas empresas possam ser tendenciosas ou discriminatórias”

Frank Dobbin, professor de sociologia de Harvard e co-coordenador do programa de economia e sociologia do MIT

“Altos executivos não acreditam que suas empresas possam ser tendenciosas ou discriminatórias”

Por que os programas de diversidade ainda falham em grandes companhias?
Muitos executivos acreditam que a melhor maneira de pôr fim à discriminação é controlando os líderes responsáveis pelas contratações e decisões da empresa. E isso ocorre de muitas maneiras. Em casos de contratação, por exemplo, eles são coagidos a selecionar candidatos com base na pontuação de um teste, feito por um sistema de classificação. Há, também, situações de procedimentos de reclamações, que permitem que as minorias façam reclamações a fim de punir os gestores. Medidas como essas não funcionam, pois, em vez de unir a equipe, as pessoas se rebelam contra os esforços de controlá-las. É preciso trazer os líderes para o lado da diversidade.

No Brasil, mesmo as grandes empresas têm dificuldades de implementar programas de diversidade. O problema é cultural? 
Fora dos Estados Unidos, poucos países elaboram programas de diversidade. Isso ocorre, pois, em muitos deles, altos executivos não acreditam que suas empresas possam ser tendenciosas ou discriminatórias. Eles tendem a montar programas apenas quando são legalmente obrigados. O grande problema em questão é que, em muitos casos, as políticas que as empresas utilizam para cumprir essas leis também não funcionam bem.

Por isso é tão difícil encontrar iniciativas voltadas para o público LGBT em países emergentes, como o Brasil? 
Poucas empresas têm projetos de diversidade voltados para trabalhadores LGBT no mundo inteiro. O motivo? Elas raramente tendem a investir dinheiro em programas que acreditam que não serão revertidos em lucro. Em casos como esses, os benefícios realmente podem ser difíceis de medir. O que eles devem se atentar, porém, são em iniciativas que melhorem a atmosfera da companhia.

O sr. acredita que além de gerar ganhos econômicos, as medidas da iniciativa privada podem contribuir para uma mudança social? 
Sim. A melhor maneira de lutar contra o preconceito é colocar pessoas de diferentes grupos lado a lado, trabalhando em conjunto, com os mesmos objetivos e direitos. O mercado de trabalho é o melhor lugar para se estimular isso. A melhor maneira de começar a promover uma igualdade social é dentro do mercado de trabalho.

Quais são os principais ganhos do investimento em programas de diversidade?
Um dos maiores benefícios de programas de diversidade é que, além de uma maior integração entre a equipe, eles fazem com que as empresas reduzam os custos de volume de negócios, assim como estimulam o funcionário a continuar na companhia. A tendência natural é que mulheres e as chamadas minorias peçam demissão por assédios sofridos dentro do ambiente corporativo. No entanto, quando existem programas de diversidade, os grupos economizam em custos de gestão, bem como ajudam a usar a experiência de todos os que trabalham em um projeto para tomar decisões-chave para a companhia, estabelecem prazos e determinam o fluxo de trabalho.

E quais são as perdas ao não se investir?
Empresas que não investem desmoralizam os trabalhadores e o talento deles. As perdas também são econômicas, pois pode haver perda de mercado. A Delloite, por exemplo, reconheceu a “hemorragia” causada pelo tratamento que eles davam às mulheres e mudou isso. Atualmente, eles têm programas que além de reter o talento feminino às mesmas taxas que os homens, eles estimulam o crescimento profissional delas.

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