Economia

A nova dama de ferro

A ultraconservadora Theresa May, nova premiê britânica, não encontrará facilidade no processo de saída do Reino Unido da União Europeia

A nova dama de ferro

Uma entra, o outro sai: depois da derrota na campanha contra o Brexit, David Cameron deixa seu posto como premiê e passa o comando para Theresa May (foto: Divulgação)

Dona de uma postura firme, centralizadora, avessa aos holofotes e com uma educação extremamente religiosa, Theresa May, do Partido Conservador, tem deixado sua marca, um tanto quanto controversa, na política do Reino Unido. Nos últimos seis anos, ela foi ministra das relações interiores e se encaixou perfeitamente no estereótipo de seu partido: May levanta a bandeira contra a liberdade de imigração no continente. Seu conservadorismo fez com que trabalhasse pela redução de um terço dos 300 mil imigrantes que vivem em território britânico.

Agora, ela será a responsável por comandar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Desde quarta-feira 13, May, aos 59 anos, assumiu o posto de primeira-ministra britânica no lugar de David Cameron, derrotado pela vitória do referendo a favor do rompimento com o bloco econômico. Assim como à época da ultraconservadora Margaret Thatcher, que foi primeira-ministra entre 1979 e 1990, a missão que May enfrentará não será nada fácil – tampouco, simples.

Mas as semelhanças entre ela e a reformista radical, que ficou conhecida como Dama de Ferro, param por aí. Seu perfil é semelhante ao da rígida Angela Merkel, chanceler da Alemanha. “Theresa May adota uma postura pragmática e não ideológica, como Thatcher”, diz Steve Priddy, diretor da London School of Business and Finance. “A tendência é que o governo se torne cada vez mais impopular conforme a economia se deteriore, o que pode fazê-la deixar o cargo antes do previsto.”

Passado um mês do desfecho do referendo, May lida com um panorama político-econômico bastante turbulento. O Partido Conservador está inteiramente rachado pelas brigas durante a campanha do Brexit e as projeções para a economia são péssimas. A estimativa é de uma queda de 4% do PIB, em 2017. Para reverter esse processo, ela precisará transmitir segurança aos investidores, fortalecer a libra esterlina e, principalmente, manter o Reino Unido coeso. “Minha filosofia é fazer, e não falar”, afirmou a nova premiê a um jornal britânico. “Brexit significa Brexit. E nós faremos isso com êxito.”

Para alcançar seu objetivo, ela aposta em pesos-pesados, conhecidos como eurocéticos, como aliados para compor seu gabinete. O líder do Brexit, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, fora nomeado ministro de relações exteriores. Já o posto de ministro das finanças ficou com o ex-chanceler Phillip Hammond. Diante de tantos desafios, as expectativas para o seu mandato não são as melhores. A dama do Brexit, no entanto, terá três anos e meio para provar o contrário e colocar o Reino Unido de volta nos eixos.