Economia

Espelho, espelho meu…

Decisão do STF sobre o impeachment e operação da PF contra o PMDB agravam a crise política. Enquanto isso, a economia joga contra Dilma e a favor de Temer

Espelho, espelho meu…

Cara a cara: Dilma e Temer se encontram em evento militar, em Brasília (foto: Divulgação)

Foi ao som do clássico “Amigos para Sempre”, entoado pela banda dos militares, em Brasília, que a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer tiveram, na quarta-feira 16, o primeiro encontro público após a carta escrita pelo peemedebista, na semana anterior. Engana-se, no entanto, quem acredita que o clima político entre as duas principais autoridades do País é amistoso. Enquanto Temer continua angariando apoio dentre os seus correligionários e integrantes da oposição para um eventual governo, Dilma segue colhendo os pepinos econômicos plantados na sua primeira gestão.

Na manhã da sexta-feira 18, o Banco Central divulgou o PIB de outubro que, no acumulado em 12 meses, registra uma retração de 3,16%. Dois dias antes, o IBGE anunciou que a taxa de desemprego havia subido de 4,8%, em novembro do ano passado, para os atuais 7,5%. São apenas dois exemplos que refletem o tamanho da crise econômica e aumentam a pressão pró-impeachment. Com apoio de apenas 9% da população, segundo pesquisa Ibope, a presidente Dilma tem encontrado dificuldade de aglutinar a sua base aliada no Congresso.

A tensão política aumentou, na semana passada, com uma operação da Polícia Federal (PF) contra o PMDB de Alagoas, que tem no presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a sua principal liderança. O governo teme perder o apoio de Renan que se tornou uma peça ainda mais importante após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o Senado tem o poder de barrar o processo de impeachment encaminhado pela Câmara dos Deputados.

O STF impôs ainda uma derrota ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que terá de refazer a eleição para a composição da comissão especial do impeachment. Cunha, que também foi alvo da operação da PF, corre o risco de ter o mandato cassado em 2016. Sem convocação extraordinária do Congresso Nacional, a crise política se arrastará para o primeiro trimestre do ano que vem. O governo avalia que o tempo extra na política dará fôlego à presidente Dilma. Na economia, no entanto, o tic-tac do relógio joga contra o Palácio do Planalto.